segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Sobre a delinquência empresarial brasileira: o Caso Extra


Comprei uma geladeira na internet do Extra.com.br no dia 27 de janeiro. Davam no máximo 9 dias para a entrega da geladeira. Mas a nota fiscal foi emitida no dia 1º e me enviaram um email dizendo que até no dia 10 de fevereiro a mina geladeira seria entregue. Detalhe: não consegui me cadastrar na Central de Atendimento. Diz que o CPF já está inscrito, mas eu não consigo nem receber a indicação para a nova senha ou  o meu e-mail.  Supostamente eu teria, através da Central de Atendimento, informações mais precisas sobre a entrega da geladeira. Liguei para a loja para falar do problema na Central do Atendimento, e a moça que me atendeu disse que a geladeira seria entregue até o dia 9 de fevereiro. E que me enviaria a senha redefinida. Depois me ligaram de novo dizendo que eu tinha que me cadastrar de novo... Coisa que eu já não conseguia. Me disseram que eu tinha que esperar 48h dias para me cadastrar de novo. Sábado, dia 4, era o segundo dia depois do telefonema que permitiria eu me recadastrar de novo. Saio de casa por volta das 12:40 e, para meu espanto, me liga um sujeito às 13:07 me dizendo que era "das Casas Bahia" e que tinha a geladeira para me entregar. Eu surtei. Tinha que voltar correndo para a casa e pedi. “Me esperem!”
"Dá não". Como assim! Me esperem, volto correndo. "Não podemos". E depois de eu reclamar um monte, caiu a ligação. Resolvi não voltar com o risco de chegar e eles não estarem mais. Uma hora depois me liga outro, perguntando se eu ia voltar. Eu falei: como, vcs falaram que não iam esperar, resolvi não ir. Pela conversa entrecortada do sujeito, entendi que iam me entregar na terça ou na quarta, por que segunda-feira é folga deles.
Uma moça me ligou pouco depois tentando explicar o acontecido e me avisou que como ia voltar para o depósito, a geladeira só ia ser entregue a partir de 5º feira!  Reclamei o que pude. Falei para ela: se os entregadores podem me ligar quando chegam na minha casa, porque não me ligaram um pouco antes de irem? Tecnicamente eles foram me entregar a geladeira no sábado de tarde, fora do horário comercial!!! Por que não me ligaram antes. Eu teria ficado em casa esperando. Não teria saído!E quanto ao “Extra”, a  loja on line que me vendeu a geladeira? Me enviaram um email no dia segeuinte dizendo que “a mercadoria tinha sido entregue no dia 5 de fevereiro. Fim de semana, gente, não tem para quem reclamar, né? Não tem telefone de contato e a central de atendimento, lembro a vocês, não aceita minha senha e não aceita que eu me inscreva de novo...
Entrei no site “Reclame Aqui” para desopilar o fígado.... e o que apareceu hoje, segunda-feira, dia 6,  na minha caixa postal do site de reclamações? Uma tal de Brenda, do Extra, me dizendo que minha geladeira foi entregue!!!! Cadê a minha geladeira??? Tive que ligar para eles novamente e o sujeito que me atendeu  limitou-se  a dizer que iam  verificar isso!
Fala-se hoje muito dos políticos e da roubalheira das empreiteiras.  Mas  não da “delinqüência empresarial” que grassa neste país, agora com capital cada vez mais monopolizado. O Extra é também Casas Bahia e também Ponto Frio. Também é, obviamente,  Grupo Pão de Açúcar”. Eles se uniram para cortar custos, demitir empregados e  nos prestar um serviço cada vez pior, enquanto eles lucram mais um pouquinho sempre.  E nós, o povo otário de plantão, seguimos sendo humilhados por todos os lados.  Pelos interesses do capital e pelos políticos que a eles servem. Somos roubados de todos os lados Achar que porque é empresa está fora dessa lama toda é ser muito ingênuo. A livre-iniciativa, que os liberais amam, já  produziu um monte de excrescência e um dos sinais do quanto a falta de regulação que permite monopólios.
como esse é contra o interesse público é uma pessoa comprar algo e ficar  ouvindo e lendo a informação de que foi entregue!  E ainda não saber, depois de 9 dias de sua compra, quando terá sua geladeira em casa! 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

"Atestados de veracidade para a história"


É efetivamente preocupante vir estampado nos jornais da mídia hegemônica a visão do atual presidente da Associação Nacional dos Jornais", Marcelo Rech, que atribui aos membros deste grupo, os maiores conglomerados de mídia comercial do Brasil, a capacidade de serem "certificadores profissionais da realidade".
Sei que estamos em plena disputa de narrativas: "golpe" e o "não é golpe". E é justamente por isso que eles perderam esse lugar de "certificadores". Eu e muitos que pensam como eu não vêem suas idéias e percepções difundidas também por eles. É tão evidente a manipulação deste grupo de famílias que faz parte da Associação Nacional dos Jornais"(ANJ) sobre o que para eles é a realidade política deste país que eles deixaram de ser referência para mim. Eu não vejo boa parte da realidade política deste país expressa nestes jornais. A realidade que eles criaram não corresponde a que eu vejo.
Um amigo meu, jornalista espanhol, Bernardo Gutiérrez, percebeu isso durante a campanha de reeleição do Lula, em 1996.
Tudo bem. Muitos vão dizer que eu sou uma pessoa militante, de esquerda, etc., mas essa é que era a graça. Antigamente, mesmo minoritariamente, a gente via "notícias", ou seja, fatos construídos como dignos de serem vistos e difundidos, que correspondiam ao que eu, enquanto cidadã de coloração de esquerda mais ou menos assistia. Com graves deslizes, como a "degola" que não houve no conflito da Praça da Matriz, em 1990, mas geralmente, correspondia.E eu continuava a lê-los.
Hoje nem me dou ao trabalho.
Compro jornal de vez em quando, e uma vez por semana para saber as estréias de cinema. E como eu, vários desistiram.
Sempre foi pelo cinema que eu lia jornais. Voltei a lê-los pelo cinema e nada mais.
Mas realmente é muito pouco para uma função importante e pública que infelizmente esta turma da a ANJ não respeita mais.
Òbvio que em tal desvantagem, o meu lado, "esquerda" de vários matizes, também deve apelar para distorções aqui, acolá. Mas geralmente estou confiando mais neles.
Pois eles traduzem algumas coisa que eu realmente experiencio na minha realidade circundante, ou melhor, nas percepções da realidade que eu compartilho com vários de vocês.

sábado, 13 de agosto de 2016

A fatla de coragem política e a educação

A falta da coragem política e a educação

Por Débora F. Lerrer

 Como faz falta a coragem política, ou o que Gramsci chamava de “jacobinismo na ação” no cenário nacional, hoje coalhado de medíocres políticos.
Sinto pena que o Brizola tenha decidido partir dessa para melhor no início do Governo Lula por que ele teria sido um farol para evitar esses desastres políticos proporcionados pelo PT em seus últimos mandatos e talvez mais sábio em lidar com as manobras golpistas que vicejam no ambiente político brasileiro.  Diga o que quiser do Brizola, mas era corajoso. Não foi bom na construção de um partido. E, além disso, foi golpeado. Roubaram dele a sigla PTB, mas se  não fosse um político grandioso, o próprio PDT não teria vingado.
Tem que olhar em perspectiva. Pensar adiante.
Por exemplo, agora estamos em uma espécie de janela demográfica. A tarefa mais importante de qualquer grupo que esteja no poder hoje é simplesmente encontrar alguma forma de enfiar todas as crianças vulneráveis em escolas, dá-las assistência de vários tipos, para eles se tornarem talvez a geração que dará o salto qualitativo deste país. Mas houve este golpe vagabundo e há risco até de se limitar os gastos com educação!!!
Infelizmente, a escola pública em vários níveis não dá conta disso, por enquanto. Mas temos que perseguir isso. As escolas básicas só podem ter no máximo 20 crianças por sala. Temos que criar mutirões nas escolas públicas para reformar, pintar, decorar.  Chamar a comunidade escolar, pais e parentes dos alunos, a contribuir como puderem. 
Em suma, tentar caminhos institucionais para se ir mudando aos poucos determinadas realidades através daquilo que vem de nós. O melhor de nós. Afinal, não somos organizados para fazer festas? Então nos organizemos, enquanto sociedade civil, para acolher essas crianças! Cada brasileirinho hoje é uma fonte de possibilidades abertas para florescer a nossa civilização.  Sim, a civilização brasileira. Que é uma entre várias, mas que como é a minha, eu faço questão que ela atinja suas melhores potencialidades.
Claro que não devemos esquecer de aumentar o salário dos professores até chegar ao patamar do que  recebiam na década de 60. É esse o padrão salarial que deve ser respeitado e do qual nunca devíamos ter saído.
E  o Brizola, sim, ele sempre pensava em educação. E pensava a sério. Não da boca para fora. Tirava realmente recursos do orçamento do estado para promover essa área. Desde sua época no governo do Rio Grande do Sul, quando espalhou as “brizolinhas” pelo interior gaúcho.
Hoje, mesmo que tenham desfigurado a proposta ao longo dos anos, seus monumentos chamados CIEPS pontuam a paisagem do Rio,  lembrando para a população que  basta querer, que essa idéia pode renascer.


Se não fizermos o caminho, não chegaremos lá.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Primavera brasileira

Estamos vivendo uma espécie de "primavera" política no meio deste caos provocado por este governo interino absurdo.
Mas nada como sacudir a poeira e ir para a luta.
Vejo mais gente procurando se encontrar, procurando entender, procurando se informar melhor e, sobretudo, procurando fazer qualquer coisa para resistir e virar a mesa.
A indignação cresce. E só cresce.
Liberar venda de terra para estrangeiros, entregar o Pré-sal de bandeja (e assim rifar fundos para a educação pública), privatizar o que ainda sobrou. Extinguir Ministério do Desenvolvimento Agrário, Secretaria das Mulheres, da Igualdade Racial. numa canetada. Como se fosse assim... fácil?
E tudo rápido. Com pressa, antes de serem escorraçados.
E como se não bastasse, em meio à imensa revolta de mulheres, fartas de tanta violência, nomear uma secretária evangélica contra o aborto até em casos de estupro?
Como assim, cara-pálida????
Amanhã, a partir das 16h. Largo do Carioca.

Mulheres pela Democracia contra o Golpe!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Espetáculo de cínicos

Estou envergonhada por ter visto no domingo, dia 17 de abril,  aqueles canastrões de terno e gravata proferindo as mais altas baboseiras na frente do cínico que presidia a sessão. Foi a maior humilhação que essa sociedade recebeu. E o pior é que as pessoas mais bem alimentadas e protegidas por esta desigual sociedade acharam normal porque estavam encenando a tirada do "bode expiatório" da vez do poder: O PT, os "vermelhos...
Foi pior do que o 7 a 0 para mim. Futebol não tem efeitos concretos. Só simbólicos. Mas a política feita naquela casa liderada pelo Cunha tem.
Dizem que cada país merece a classe dirigente que tem, mas aqui como o poder do dinheiro manda muito e as instituições com o STF são lerdas ou coniventes, só posso é continuar acreditando que não somos esse país de boçais que eu vi espelhado ontem na TV. E um recado aos "liberalóides" de plantão: faz de conta que foi a meritocracia que colocou aqueles deputados ridículos lá e não a torpe corrupção que irriga de dinheiro o PP, o PMDB e CIA desde que eles se entendem por partido. Lembrem-se que o primeiro diretor a fazer "delação premiada", o Costa, era indicado do PP. Muito triste ver esse espetáculo de cinismo ao vivo e a cores e com efeitos tão profundos para a nossa nação.

sábado, 5 de março de 2016

13 de março?


Há linhas que, quando ultrapassadas, a gente se toca: NO PASSARAN!
Como é que o grupo que quer tirar a Dilma do poder resolveu  convocar uma manifestação para o dia 13 de março? Como assim, cara pálida? 13 de março é o dia do célebre comício da Central do Brasil, quando o presidente Jango anunciou a reforma agrária e uma taxação da remessa de lucros das multinacionais para o exterior. O Brasil teria sido muito diferente se tivessem deixado o Jango fazer sua reforma agrária bastante tímida, por sinal... Mas, ao invés disso, golpearam o país acenando com um tal perigo sindical ou comunista, longe dos idéias dos trabalhistas.
Sempre acho que o fato de não ter tido resistência ao Golpe de 64, emasculou o Brasil e os brasileiros. O Jango avaliou que não dava, sei lá. 
Mas o fato é que a repressão baixou feia, matou, detonou e as melhores cabeças que governavam ou emitiam opiniões sobre o Brasil foram exiladas ou deposta
s: Darcy Ribeiro, Santiago Dantas, Celso Furtado, Josué de Castro,Paulo Freire, Anísio Teixeira.. Os maiores e os melhores foram apeados do poder sem qualquer resistência. O país ficou à mercê dos gorilas ignorantes da vez e somos desde então os piores em desigualdade social do mundo. 
E, a ignorância grassa, pois tem gente que pede os milicos de volta! Como se as empreiteiras hoje no banco dos réus não tivessem começado sua carreira meteórica de favores e propinas justamente na ditadura militar! Sim, sem democracia para denunciá-los!
A Dilma é fraca, politicamente incompetente. Mas foi eleita. Ponto final. O Lula pode até ter recebido favores das empreiteiras, mas dividiu um pouco melhor o bolo... bem pouco por sinal, mas dividiu.
E o povo sabe. Sente na pele o que é isso. Comer melhor faz muita, muita diferença.
O dia 13 de março tem que ser um dia de combate contra esses ignorantes que ousam tripudiar com a nossa memória histórica.
Quando o Serra que quer entregar o pré-sal para a Chevron sofrer uma investigação profunda como a que ronda o Lula, aí eu vou me sentir mais tranquila. O pré-sal só pode ser um negócio muito bom para ter tanto urubu voando sobre a carniça da Petrobrás.E um vendilhão como o Serra segue impune, sem qualquer mácula sobre seu passado esquisito na era das privatizações tucanas...Todos eles ficaram muito ricos, por sinal..
O  Lula ao que parece, também ficou muito bem de vida depois da presidência. E os filhos dele também.
Mas, não era para tê-lo arrastado de casa às 5 da manhã por isso! Humilhar o Lula? NÃO!
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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Pedro II e a Educação brasileira


Dia 19 de fevereiro, levei Agatha, minha filha para a inauguração de uma unidade do Pedro II, escola pública de excelência do Rio de Janeiro, onde, por obra da pura sorte, ela vai estudar a partir deste ano.
Foi sorteada. Ela e mais um total de no máximo umas 500 crianças.
Fiquei emocionada no saguão simples. Sem regalias. E encantada com as salas de atividades que ela vai ter oportunidade de desfrutar em seu aprendizado: sala de música, sala de literatura, sala de computadores, sala de ciências.
Ela amava o CEAT, a escola onde estava. E creio só  se convenceu que era uma boa ir para o Pedro II por conta dos esfuziantes parabéns que recebemos. Entendeu que devia ser algo muito bom.
Somos umas das poucas famílias brasileiras a desfrutar do benefício de ter uma escola pública, de qualidade, com professores dedicados, valorizados e uma estrutura sóbria,  modesta, mas com tudo que uma criança precisa para gostar de aprender.
Queria que houvesse Pedros II para TODAS as crianças brasileiras.
Agradeço muito a oportunidade que minha filha recebeu.
Mas a verdade é que a própria existência de uma instituição como o Pedro II demonstra que sabemos como se faz uma educação pública de qualidade. Ou seja, não existe mágica e fórmulas milagrosas. É desse jeito:  corpo docente com bom plano de carreira e valorizado, estrutura, etc. Não sei como o Pedro II conseguiu se manter e o “Julinho” em Porto Alegre, não.  O primeiro é federal. O segundo estadual. Mas e aí? Aplicando a racionalidade funcional de um consultor de gestão: basta replicar os procedimentos. E, óbvio: os recursos.
Sei que lá dentro as lutas existem para garantir que ele siga assim. E melhore. E talvez é isso que tenha faltado nas demais escolas públicas: não deixar a peteca cair. Os pais de classe média foram tirando  seus filhos quando as escolas foram piorando. E o problema, não sendo mais deles, foi seguindo ladeira abaixo. 
Sempre achei que se tivesse filhos tentaria colocá-los em escola pública para assumir também o compromisso de resgatá-la. Mas trabalho muito. Avaliei, quando a Agatha nasceu, que não teria tempo para isso. E é mais cômodo mesmo a gente encaminhar nossos filhos para as escolas particulares.
São várias as lutas que a gente deve travar cotidianamente. E esta eu não ia conseguir dar conta por conta do tempo e dedicação que seria necessário e por envolver ela.
Sim, porque eu tenho a possibilidade da escolha. Mas milhões não têm.
Por outro lado, com  a quantidade de impostos que a classe média paga neste país, como ela tolera ter perdido este serviço essencial, topando pagar fortunas para garantir um bom  futuro educacional  para seus filhos? Por que ela se retirou desta luta?
Sim, educação é um serviço essencial. E no estágio demográfico que está o país, não há nada mais importante para se investir. Nenhum PAC da vida se iguala à estratégia  embutida em um governo que prioriza a educação: investir nas pessoas e, sobretudo, nas crianças.