quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Brasil e o seu sistema oligárquico de representação



Nas escolas brasileiras, quando se ensina o que quer dizer oligarquia, devíamos ensinar que vivemos em uma “democracia baseada em um sistema oligárquico de representação”.  
Não sou eu que cunhei essa expressão. Foi um cientista político, que eu não me lembro o nome, citado pelo Miguel Carter, outro  pesquisador do tema formado na Columbia University, EUA, em seu magnífico livro organizado sobre Movimento Sem Terra do Brasil. 
Portanto, nosso problema não é Sarney, Renan Calheiros. É o Senado todo, cabide de emprego almejado por todos os ex-governadores e candidatos a governadores e presidentes do país. O Senado é totalmente desnecessário. Surgiu não sei bem por que, baseado em algo romano, mas no caso brasileiro, apenas 15% dos eleitores elegem 51% dos senadores. Alguns diriam que esse desequilíbrio de representação serve para manter a nossa unidade nacional, o pacto federativo. O argumento é plausível para outros tempos, mas agora não me parece que andemos com risco de desfragmentar essa unidade, portanto, creio que o Senado atualmente só serve para fortalecer os interesses dessa oligarquia que manda no país. Se é o caso de garantir um emprego aos ex-governadores- porque me parece que é mais disso que se trata - que se crie uma poupança vitalícia para o sujeito. Assim, não continuaríamos a ver esses lamentáveis episódios de venaliadades de diversos graus e escalões na nossa frente. Sairia mais barato para o erário público, até porque os cargos de servidores existentes no Senado são de fato uns dos mais bem pagos de Brasília.  A Câmara dos Deputados também tem uma representação desproporconal, o que favorece que exista uma excrescência chamada Bancada Ruralista que representa, de fato umas cerca de 200 mil famílias. E em nome dos interesses dessa enorme minoria, detona com o Código Florestal e, fortalecida depois dessa vitória, quer mexer em outros pilares da nossa Constituição para atender seus mais diretos interesses.  Vamos deixar que a “ordem fazendeira” domine esta nação?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Província extremista

Porto Alegre é uma província extremista. Muito calor no verão. Muito frio no inverno. Extremos climáticos.  E gente vestida de vermelho ou azul. Quase como uma farda. Ou vermelho, ou azul.
Capital de  um extremo geográfico do Brasil. Hoje a vejo demolindo-se. Era arquitetonicamente bela. Hoje está à venda. Não sei quantos prédios novos estão programados para sair nesta nova arquitetura esquisita desses tempos de templos de consumo. Só sei que se vão minhas referências da cidade. Foram indo. Algumas aos poucos. Outras de uma hora para outra. Em mim, esse processo começou com o fim dos cinemas. O fim do ABC e seu tapete vermelho incrivelmente fofo recebendo os convivas das  sessões da meia-noite. Muitas delas, dormidas. Foi-se o Bar João e suas cachaças incríveis, o Baltimore e o cinema-escola Bristol.
Ficou a Casa de Cultura Mario Quintana. Mas até esteve  fadada a ir-se embora, não fosse o Mario Quintana. Também quase se foi o Mercado Público. Essas permanencias foram lutadas. E ficaram como símbolos. Mas a nova onda especulativa chegou e está varrendo a cidade novamente. Infelizmente, desta vez com péssimo gosto.

sábado, 17 de novembro de 2012

Todo o dia o sol levanta...

Boa música de ninar, que conheci do  Caetano:
Todo o dia o sol levanta
E a gente canta o sol de todo o dia
Fim da tarde
A terra cora
E a gente chora
Por que finda a tarde
Toda noite
A lua avança
E a gente dança
Venerando a noite.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

As loucas barrageiras

Queria ter vaiado a ministra Isabela Teixeira no último sábado, no início da Cúpula dos Povos da Rio+20,. Ela estava no fim da manhã na Arena Socioambiental, impune. Eu, sinceramente, não gosto de fazer isso sozinha. E estava com minha filha pequena. Tem que se pensar nas consequências dessas atitudes, estando-se com uma criança. Mas, realmente, lamentei. Até  sugeri para o pessoal do Greenpeace. Talvez tenha sugerido mal, sei lá. Em suma, ela passou impune pela Cúpula dos Povos da Rio+20. Mas ontem, dia 20, durante a passeata, me certifiquei da importância de o PT pelo menos não ter perdido o hábito de financiar reuniões de base. A Cúpula me lembra muito os Fóruns Sociais Mundiais e não devemos esquecer que há muita força nessas reuniões. Senão, não era a primeira medida das ditaduras: proibir reuniões de um tal número de gente. Apesar do risco de "reunite", pessoas que pensam e tem problemas semenhantes se agregarem em reuniões, debates e passeatas tem efeitos inesperados. A democracia provoca efeitos inesperados, graças à Deus! E uma passeata festiva, com poucia publicidade na mídia main stream tem uma função interna super importante. A gente se reconhece. Vê que está na "parada" e vê mais ou menos a força dessas idéias. É uma energia festiva, politizada, importante. Acho que, pelo menos, desde a Revolução Francesa o povo efetivamente faz da luta uma festa e se reenergiza com ela para seguir  adiante. Mas como sempre, o grande problema é identificar e neutralizar os inimigos. E a ditadura ruralista do governo Dilma realmente requer habilidade política para o enfrentamento. A "louca barrageira" - como bem definiu um cartaz empunhado bravamente  por um grupo de antropólogos, a   "fantoche dos ruralistas" - by SOS Mata Atlântica -  e das empreiteiras que mandam nesse país, representa o PT envergonhado, o PT encolhido, que ao invés de ousar as transformações profundas que o país precisa, atacando de fato o monopólio fundiário,  fortalece como nunca antes se viu, no pós-ditadura militar,  a turma do atraso, que monopoliza riqueza e recursos naturais de uma forma criminosa e ofensiva para a sociedade brasileira, ameaçando cada vez mais o que ainda temos de melhor nos nossos sertões: rios, florestas abundantes, culturas rústicas e ecologicamente sábias, em suma, conhecimento e formas de vida que são cada vez mais estratégicos em um mundo colapsado pela iminente mudança climática. Como cidadâ, acho insuportável  essa contradição de receber uma Rio+20 e ter um quadro de mudança institucional como a do Código Florestal, este, curiosamente uma lei  da ditadura militar, de quando nem se falava em ecologia. Ate a nossa ditadura era mais avançado ecológicamente do que a Dilma. Criou essa lei escutando a ciência, especialistas e não a bancada ruralista, como vergonhosa participação do PCdoB. De fato, um dos primeiros movimentos de luta ambiental no mundo começou no Rio Grande do Sul: a AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), fundada em 1971 e que teve como primeiro presidente José Lutzemberger,. Éramos a vanguarda até. Incrível o PT chegar ao poder e preferir, ao invés de promover as mudanças sociais que o Brasil precisa,  fazer o trabalho sujo para a direita em troca da sua manutenção no poder. Como se fosse possível implantar o rumo que esse país pode ter  como destino: ser a vanguarda da criação de um modo de vida  socialmente justo e ecologicamente sustentável, sujando as mãos nos almoços e jantares como nossos inimigos.

domingo, 20 de maio de 2012

Xuxa

Acabo de ver o depoimento da Xuxa ao Fantástico. Nunca nutri grandes simpatias por ela. Sinceramente não me atraíram seus programas e eu sempre suspeitei de qualquer coisa que induza crianças a consumirem. Tão ruim essa ciranda. Mas, senti necessidade de expressar que toda a carreira bem sucedida dela se justifica por este depoimento. Ela acaba de prestar um enorme serviço a todas as pessoas que foram crianças abusadas em algum momento, especialmente as meninas. E meninas vistosas, que apareciam por si, ou "gostavam de aparecer". E que foram literalmente punidas por isso. Punidas a perderem a ingenuidade sem escalas. Valeu, Xuxa. Agora entendo sua obsessão pelas crianças. Realmente, estar com elas transporta a gente para esse mundo mágico perdido nessas feridas. Mas efetivamente, ela deveria ter casado com o Michael Jackson. Era um típico casamento arranjado que talvez fosse dar certo. Até por conta de feridas e obsessões comuns. Mas casamento assim é muito difícil na opulência e no egocentrismo. Mas valeu muito mesmo. Obrigada.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Primeiro de Maio de luta por uma política de transportes democrática e participativa

Data histórica da luta dos trabalhadores, o Primeiro de Maio transformou-se nos últimos anos em um feriado anódino onde as grandes Centrais Sindicais brasileiras promovem festas, shows e sorteios deixando de promover os debates sobre os problemas que atingem o conjunto dos cidadãos, principalmente os trabalhadores. Uma das questões centrais que atinge o cotidiano de todos os moradores de uma grande metrópole como o Rio de Janeiro é justamente o transporte público. Por esta razão o FÓRUM DE MOBILIDADE URBANA DO RIO DE JANEIRO resolveu aproveitar a data e a festa para o trabalhador organizada na Quinta da Boa Vista para divulgar os graves problemas que cercam o conjunto dos serviços de transporte público da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Afinal, a maioria dos trabalhadores perde no mínimo 4h por dia no transporte entre a casa e o trabalho, o que significa três dias por mês comprometidos em congestionamentos, ônibus, metrôs e trens lotados. Aqui, como na grande maioria das metrópoles brasileiras, o transporte público é caro e ruim. Estes serviços estão em sua maioria nas mãos de concessionárias privadas que oferecem um serviço inseguro e de péssima qualidade. A luta pelo retorno do Bonde de Santa Teresa popular e aberto é parte dessa questão que aflinge toda esta cidade. Por esta razão a Amast convida a todos para aparecer na Quinta da Boa Vista neste Primeiro de Maio, contribuindo para congregar mais pessoas em torno da luta por um transporte público de qualidade. A Amast participa do Fórum de Mobilidade Urbana, que se reúne todas 6º feiras no Clube de Engenharia, na Av. Rio Branco, 124/21º, e convida a todos para comparecer a esta reunião e agregar-se com sua indignação com outras associações e movimentos sociais do Rio de Janeiro. Sua participação é muito importante para que a sociedade seja ouvida e respeitada nas decisões sobre os transportes que hoje são tomadas apenas pelos governos e empresas do setor, sem PARTICIPAÇÃO POPULAR.
Morador de Santa Teresa entrou com recurso junto ao desembargador Elton Leme pedindo nova suspensão da licitação dos bondes Assessorado pela Câmara Técnica do Fórum Permanente do Bonde de Santa Teresa, da qual fazem parte Crea─RJ, Clube de Engenharia, Sindicato dos Engenheiros e Amast (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa), o morador Jacques Schwarzstein, autor da Ação Civil Pública que suspendeu a irregular licitação para a compra de bondes de Santa Teresa, entrou na terça-feira passada, dia 24 de abril, com recurso para suspender a decisão do desembargador Elton Leme que caçou a liminar que suspendia esta concorrência. O governo estadual argumenta que é apenas uma licitação para compra dos veículos e que, para tal, não há necessidade de projeto básico e nem de mais de um mês de prazo. Todos os engenheiros, especialistas e técnicos que fazem parte da Câmara Técnica do Fórum Permanente do Bonde de Santa Teresa são unânimes em afirmar que bondes não se encontram prontos no mercado e que, portanto, é fundamental um projeto básico e tempo para mais empresas terem condições de concorrer na licitação. Todos também afirmam que o bonde centenário é viável, apenas precisa de ajustes e manutenção adequada para aprimorar sua segurança. Há poucos anos atrás, os trens, apelidados de “VLTs”, montados pela empresa T’Trans, de Três Rios, colocados em circulação no lugar dos bondes tradicionais também foram produto de uma licitação sem projeto básico. Nunca funcionaram direito, causaram inúmeros acidentes, inclusive um fatal, e hoje estão parados na oficina. Estes veículos apelidados de “Frankenstein” pelos moradores não duraram nem três anos circulando, ao passo que os bondes tradicionais de 115 anos eram os que garantiam de fato o atendimento aos moradores e turistas que visitavam Santa Teresa. Infelizmente, o governo Cabral insistiu em recorrer da decisão que ordenou que estes centenários veículos fossem recuperados, e a tragédia anunciada se cumpriu, causando seis mortes em agosto do ano passado. Por que o governo Cabral insiste em usar moradores e turistas como cobaias para projetos faraônicos para os bondes de Santa Teresa? Por que quer continuar tomando decisões de cima para baixo, sem escutar a população e mesmo especialistas reconhecidos?