quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O destino de Battisti nas mãos de Ruby

Alguém ouviu falar da decisão sobre o Battisti? O Gilmar Mendes já deve ter voltado de férias...mas a turma do Berlusconi está tão enrolada com o escândalo de seu chefe com a marroquina que o governo italiano deve estar dando um tempo dessa quebra de braço em torno do azarado do Battisti. Pelo visto, o destino dele depende do rumo do escândalo sexual do premier italiano.
No ano passado, quando Gilmar Mendes proferiu a decisão do STF sobre a deportação do Battisti, ou seja, que ele, enquanto presidente do STF, lavava as mãos jogando a batata quente do destino do ativista de extrema esquerda italiano para as mãos do presidente Lula, achei que, dada a polêmica que este caso havia gerado no país, a decisão seria rápida. Na época já era evidente que Battisti havia se tornado um símbolo que explicitava um tipo de polaridade política que estava em jogo no Governo Lula: os lulistas de tradição de esquerda versus os anti-lulistas, anti-PT, anticomunistas...
Sim, porque só em um contexto de polaridade infantil e primária é que um Superior Tribuna de Justiça poderia proferir uma sentença classificando de comuns os crimes de que Battisti é acusado na Itália, quando era ativista de extrema esquerda. O mais curioso era ver comentários de gente batendo palma para esta decisão em blogs, como o de Reinaldo Azevedo, colunista da revista “Veja” que, hoje em dia, representa o partido mais azedo e estridentes contra Lula, PT e presidentes latino-americanos de esquerda, como Chaves e Evo Morales. Suas matérias sobre eles são um exemplo primoroso de como funcionam as visões panfletárias dos jornais de quinta categogria. Sempre fui uma jornalista de posições políticas abertas, portanto, sei bem a diferença entre crítica jornalística e panfletagem travestida de jornalismo.
Claro que, no casi Battisti, se destaca a posição de uma figura como Mino Carta, que torce pela deportação de Battisti não por compartilhar da visão política desta turma, mas provavelmente pelo ressentimento que nutre com o estrago que fez o pessoal da extrema-esquerda italiana, como Battisti, ao panorama político possível da década de 70 na Itália, quando ocorreu um dos piores crimes deles: o traumatizante sequestro e o assassinato do político da Democracia Cristã italiana, Aldo Moro.
Mas, a meu ver, o pior neste caso particular, é a quantidade de gente que acha normal a pressão que o governo italiano do Berlusconi vem fazendo em cima do Brasil. Digamos que um país,como a Itália, que não entregou um criminoso de colarinho branco como o Cacciola, humilhando, a meu ver, o governo e a justiça brasileiros, não tem o menor direito de pedir reciprocidade da nossa parte, ainda mais quando se sabe que a condenação de Battisti foi à revelia. Ele não estava presente no julgamento, não teve direito à ampla defesa e pode ter sido o bode-expiatório que seu ex-companheiro delator encontrou para livrar-se de condenação maior. Só o fato de haver essa dúvida justifica sua permanência no Brasil.
A não ser que eles anunciem novo julgamento ou algo do gênero...Mas não é isso que eles querem, senão, não teriam esquecido dele em meio ao escândalo envolvendo seu chefe maior...
Independente de todos essas questões, como já escrevi em outro momento, acho importante explorar a similitude existente entre a traumática entrega de Olga Benário para os alemães em 1936 e a imputação hoje recorrente da responsabilidade do então presidente Getúlio Vargas nessa decisão. Esta memória histórica compartilhada me veio à tona quando o Gilmar Mendes decidiu responsabilizar Lula por qualquer decisão final referente ao destino de Battisti. O divertido disso tudo é que dada a pressão italiana, a batata quente voltou para o colo do Mendes.
Mas voltando ao caso da Olga, o livro de Fernando Morais aponta alguns dos juízes do STF responsáveis pela vergonhosa entrega de uma mulher grávida, judia e comunista ao governo nazista. Outro livro que li sobre a época aponta que o presidente do STF de então, o Gilmar Mendes da época, era o Vicente Rao.
Quando se pensa nesse caso escabroso, acho curioso que que ninguém comenta é que é bem provável que esta decisão do Supremo Tribunal Federal da época estava vinculada ao clima de opinião pós-Intentona, provavelmente histérico contra os comunistas, após seu fracassado levante de 1935, que foi, de fato, uma iniciativa equivocada. Ao contrário de alguns ignorantes em história, não estávamos ainda na ditadura Vargas em 1936, portanto, as instituições que funcionavam na época tiveram liberdade de ação para decidir. Mas a pecha de culpa foi para Vargas que, efetivamente talvez pudesse ter feito algo para coibir tal decisão, mas não fez, agradando a Filinto Muller que, como sabemos era o chefe da polícia política da época e havia sido expulso da Coluna Prestes... ou seja, era um desafeto público do pai da criança que Olga trazia na barriga.
O que importa é recordar que, na época, a decisão final sobre a deportação foi mesmo do STF. Mas a responsabilidade histórica é atribuída ao então presidente Getúlio Vargas.
Embora não corra o risco de morrer em um campo de concentração, o fato de a decisão sobre o destino de Battisti ter sido passada por Mendes para às mãos de Lula continha o mesmo tipo de capciosa armadilha que caiu sobre Vargas sobre esse tema específico. Muitas pessoas, intelectuais até de certo peso, não tem meias palavras para chamar Getúlio de fascista tanto por esse caso, como pelo Estado Novo... como pela Carta del Lavoro, de Mussolinni, que inspirou as Leis trabalhistas que seu governo implantou no país.
Objetivamente, as pessoas esquecem que, após a implantação do Estado Novo, Vargas teve que enfrentar de arma na mão golpistas de tons nazistas e integralistas que, em 1938, invadiram o Palácio das Laranjeiras, onde então presidente vivia, ameaçando toda a sua família. Esta turma era formada pelos descontentes com o fato de que a instituição do Estado Novo colocou tanto a esquerda como a direita do tabuleiro político, da época representada sobretudo pelos Integralistas, fora da lei.. Depois de terem comprovado a participação de funcionários ligados à embaixada alemã no atentado à famíla do presidente, o Brasil foi o primeiro país a expulsar um embaixador nazista do país, pouco depois de a Inglaterra e a França terem "engolido o sapo" de ver Hitler anexar impunemente os Sudetos, parte da hoje República Checa, à Alemanha. Os franceses e ingleses erroneamente achavam que aplacariam a fome de expansão nazista, tolerando isso, mas a atiçaram ainda mais.
Voltando ao caso que hoje envolve o governo brasileiro atualmente, o que se imagina que pode vir a acontecer com Battisti se for enviado para a Itália? Executado ele não será, mas certamente, a responsabilidade por qualquer coisa que lhe aconteça no futuro seria imputada a Lula se ele tivesse enviado Battisti à Itália, sendo, talvez na posteridade, considerado traidor dos direitos humanos pela mesma turma que estridentemente faz campanha para dá-lo de presente para o governo Berlusconi. Na verdade, a maioria dos antepassados políticos dessa turma são os mesmos que fizeram a estridente campanha pública contra os comunistas na década de 30, criando o clima de opinião que favoreceu a expulsão ilegal de Olga. É uma turma que possui uma ojeriza quase patológica contra a esquerda. Nos últimos tempos um de seus representantes políticos mais ativos era o jurista que até recentemente presidia o STF, Gilmar Mendes.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As chuvas do Rio e o código florestal

Todas autoridades que estiveram no poder no Rio de Janeiro, desde que essas terras existem com esse nome são responsáveis pelas tragédias das chuvas que assistimos hoje desolados e tristes. Assassinaram os cursos das águas com essa mania de estradas.... tiraram as navegações de rios....arrancaram as matas ciliares, colocaram loteamentos irregulares na beira dos rios e morro e assim eles levaram seu povo ladeira abaixo nas enxurradas. As mortes foram aumentando na medida em que a falta de uma reforma agrária e uma reforma urbana, enfim, dividissem melhor o território nacional. Mas não satisfeitos de monopolizarem todas as terras do Brasil, as autoridades locais e federais ainda brigam para aprovar um Código Florestal que anistia esses crimes e não previne que eles voltem a acontecer novamente.
E por que não há 30 helicópteros hoje na região serrana do Rio?
Que tipo de autoridades são essas que ainda governam o Rio dessa maneira? Com o aumento das calamidades naturais como aguentar autoridades como essas? Por quê?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Internacional

Tive um cutuque ontem de que o Inter podia perder por conta do excesso de racionalidade...
Ficaram estudando apostilas. O "Deus do Futebol" que prefere mandingas e jogo no campo se enfureceu. Apoiou os africanos. Desde quando jogo de futebol pode ser algo "esperado", "não surpreendente"...? Então não é futebol.
Doeu. Mas os congoleses mereceram.
Honraram o deus ou os deuses do futebol...
Já os jogadores do Inter pareciam paralisados!!!
Aquela mandinga no gol foi boa, hein???
Agora temos que torcer que o Internacional de Milão também perca.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A guerra do Rio

Tirar populações do jugo de criminosos organizados é sempre um benefício. O problema é saber se essas populações não vão cair nas mãos de outra quadrilha, melhor posicionada frente aos "poderes constituídos". O problema do Rio é que ele é disputado essencialmente por algumas quadrilhas dos de baixo e uma grande quadrilha dos de cima. Essa última, instituída no Estado ou com estreitas relações com ele, é bem mais difíceis de combater. Mas vamos indo. Em última instância, a vida pulsa sempre radicalmente nesta cidade. E os cariocas são mais gente boa do que menos. Venceremos algum dia.

domingo, 24 de outubro de 2010

John Lennon, Chico, Caetano e Gil e o voto de classe

O Brasil é um país refinado em termos musicais. E acaba que nossos grandes nomes são, como em muitos lugares, homens públicos. E é interessante a gente avaliar a trajetória política de nossos ícones. Penso nisso desde que vi o excelente documentário, "Estados Unidos contra John Lennon". Neste filme é possível ver como esse genial beatle foi politizando sua música, concomitante a seu encontro com Yoko Ono, o que explica também porque ela foi tão demonizada: a japonesa que acabou com os Beatles..
Mas vendo esses filme, basicamente se vê que um garoto, filho da classe operária de Liverpool, simplesmente amadureceu aquilo que ele trazia nas entranhas. E com seu talento musical, seu enorme poder de comunicação, colocou sua arte a serviço de suas idéias. E na época, plena Guerra do Vietnã, ele criou um belíssimo fundo musical para as manifestações pacifistas que tomaram conta dos Estados Unidos, ameaçando claramente a reeleição de Nixon.
Hoje sabemos que teria sido bom que o Edgar Hoover, do FBI, não tivesse tanto poder, perseguindo Lennon e Yoko como foram, ameaçados de expulsão. Isso teria poupado os norte-americanos do vexame de reelegerem Nixon e tomarem o Watergate na cara. De qualquer modo, Lennon fez um belíssimo fundo musical para as enormes manifestações pacifistas que inundaram Washington na época e também teve uma contribuição musical importante na luta pela descriminalização da maconha.
Aqui, temos Chico Buarque, filho de um intelectual que é autor de uma obra clássica sobre a formação do Brasil, que tranquilamente abraçou as causas que levantou com elegância e lirismo. E quanto a Gil, já vi nosso grande músico e Ministro da Cultura, com seus "do-ins culturais" cristalizados como energéticos "pontos de cultura" ser homenageado por ministros da Cultura de outros países por seu importante papel na assinatura do acordo internacional em defesa da diversidade cultural patrocinado pela Unesco.
Caetano é nosso polemista. Acho interessante a forma como ele escreve. Me dá impressão de que ele é verborrágico. Escreve como quem estivesse ditando para um gravador. Ás vezes é cansativo. Mas gosto de sua firmeza. Posso não concordar com suas opiniões, mas aprecio ele ser polêmico. A polêmica faz o senso comum entrar em desasossego e provoca que verifiquemos até onde vão nossos argumentos.
Mas o fato, como bem lembrou Gil em uma célebre entrevista para a Carta Capital há alguns anos atrás, é todos eles são hoje classe dominante. E sendo brasileiros, país onde nunca houve uma verdadeira reforma social profunda, eu acho mais nobre os artistas da classe dominante se juntarem aos mais pobres. E o que ocorreu nessas eleições foi que despolitizada ou não... o voto foi claramente de classe.
Os municípios, regiões e estados mais pobres votaram na Dilma. Já os mais ricos, votaram no Serra. Até em uma cidade como o Rio de Janeiro isso tornou-se nítido: a Zona Sul e alguns bairros de classe média da Zona Norte votaram no Serra. Todas as demais regiões, incluindo as zona sul dissidente do Cosme Velho e de Santa Teresa, votaram majoritariamente na Dilme.
Em suma, o PT acabou fazendo o Brasil se dar conta de sua divisão de classe e isso é profundamente politizante. Quem diria, apesar dos pesares, o governo do PT fez aquilo que era sonho do partido em seus primórdios claramente socialistas. Ele fez avançar uma percpeção social e tornar evidente a divisão de classes da sociedade. Os lugares ricos, que sempre ganharam com o padrão vigente, votaram em Serra. Os pobres, cuja qualidade de vida melhorou substancialmente nos últimos anos votaram na Dilma.
Espero que esse trunfo não seja desperdiçado.
Talvez o tempo do Brasil estamental esteja realmente chegando ao fim.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Zé Serrote e o Código Florestal

O fato de o Serra ser apoiado pela bancada ruralista e ter tido massiva votação em um município como Marcelândia, cuja economia se baseava na extração ilegal de madeira, indica claramente o que pode acontecer com o Código Florestal e a biodiversidade brasileira se ele for eleito. Em nome de toda a sua luta e história de vida, Marina não poderia ficar neutra nesses segundo turno.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Imunologia informativa

Sugestão do El Milongueiro: imunologia informativa contra o PIG.
DILMA OU ZÉ-SERROTE
http://www.opiniaoonline.com.br/index.php