quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Internacional

Tive um cutuque ontem de que o Inter podia perder por conta do excesso de racionalidade...
Ficaram estudando apostilas. O "Deus do Futebol" que prefere mandingas e jogo no campo se enfureceu. Apoiou os africanos. Desde quando jogo de futebol pode ser algo "esperado", "não surpreendente"...? Então não é futebol.
Doeu. Mas os congoleses mereceram.
Honraram o deus ou os deuses do futebol...
Já os jogadores do Inter pareciam paralisados!!!
Aquela mandinga no gol foi boa, hein???
Agora temos que torcer que o Internacional de Milão também perca.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A guerra do Rio

Tirar populações do jugo de criminosos organizados é sempre um benefício. O problema é saber se essas populações não vão cair nas mãos de outra quadrilha, melhor posicionada frente aos "poderes constituídos". O problema do Rio é que ele é disputado essencialmente por algumas quadrilhas dos de baixo e uma grande quadrilha dos de cima. Essa última, instituída no Estado ou com estreitas relações com ele, é bem mais difíceis de combater. Mas vamos indo. Em última instância, a vida pulsa sempre radicalmente nesta cidade. E os cariocas são mais gente boa do que menos. Venceremos algum dia.

domingo, 24 de outubro de 2010

John Lennon, Chico, Caetano e Gil e o voto de classe

O Brasil é um país refinado em termos musicais. E acaba que nossos grandes nomes são, como em muitos lugares, homens públicos. E é interessante a gente avaliar a trajetória política de nossos ícones. Penso nisso desde que vi o excelente documentário, "Estados Unidos contra John Lennon". Neste filme é possível ver como esse genial beatle foi politizando sua música, concomitante a seu encontro com Yoko Ono, o que explica também porque ela foi tão demonizada: a japonesa que acabou com os Beatles..
Mas vendo esses filme, basicamente se vê que um garoto, filho da classe operária de Liverpool, simplesmente amadureceu aquilo que ele trazia nas entranhas. E com seu talento musical, seu enorme poder de comunicação, colocou sua arte a serviço de suas idéias. E na época, plena Guerra do Vietnã, ele criou um belíssimo fundo musical para as manifestações pacifistas que tomaram conta dos Estados Unidos, ameaçando claramente a reeleição de Nixon.
Hoje sabemos que teria sido bom que o Edgar Hoover, do FBI, não tivesse tanto poder, perseguindo Lennon e Yoko como foram, ameaçados de expulsão. Isso teria poupado os norte-americanos do vexame de reelegerem Nixon e tomarem o Watergate na cara. De qualquer modo, Lennon fez um belíssimo fundo musical para as enormes manifestações pacifistas que inundaram Washington na época e também teve uma contribuição musical importante na luta pela descriminalização da maconha.
Aqui, temos Chico Buarque, filho de um intelectual que é autor de uma obra clássica sobre a formação do Brasil, que tranquilamente abraçou as causas que levantou com elegância e lirismo. E quanto a Gil, já vi nosso grande músico e Ministro da Cultura, com seus "do-ins culturais" cristalizados como energéticos "pontos de cultura" ser homenageado por ministros da Cultura de outros países por seu importante papel na assinatura do acordo internacional em defesa da diversidade cultural patrocinado pela Unesco.
Caetano é nosso polemista. Acho interessante a forma como ele escreve. Me dá impressão de que ele é verborrágico. Escreve como quem estivesse ditando para um gravador. Ás vezes é cansativo. Mas gosto de sua firmeza. Posso não concordar com suas opiniões, mas aprecio ele ser polêmico. A polêmica faz o senso comum entrar em desasossego e provoca que verifiquemos até onde vão nossos argumentos.
Mas o fato, como bem lembrou Gil em uma célebre entrevista para a Carta Capital há alguns anos atrás, é todos eles são hoje classe dominante. E sendo brasileiros, país onde nunca houve uma verdadeira reforma social profunda, eu acho mais nobre os artistas da classe dominante se juntarem aos mais pobres. E o que ocorreu nessas eleições foi que despolitizada ou não... o voto foi claramente de classe.
Os municípios, regiões e estados mais pobres votaram na Dilma. Já os mais ricos, votaram no Serra. Até em uma cidade como o Rio de Janeiro isso tornou-se nítido: a Zona Sul e alguns bairros de classe média da Zona Norte votaram no Serra. Todas as demais regiões, incluindo as zona sul dissidente do Cosme Velho e de Santa Teresa, votaram majoritariamente na Dilme.
Em suma, o PT acabou fazendo o Brasil se dar conta de sua divisão de classe e isso é profundamente politizante. Quem diria, apesar dos pesares, o governo do PT fez aquilo que era sonho do partido em seus primórdios claramente socialistas. Ele fez avançar uma percpeção social e tornar evidente a divisão de classes da sociedade. Os lugares ricos, que sempre ganharam com o padrão vigente, votaram em Serra. Os pobres, cuja qualidade de vida melhorou substancialmente nos últimos anos votaram na Dilma.
Espero que esse trunfo não seja desperdiçado.
Talvez o tempo do Brasil estamental esteja realmente chegando ao fim.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Zé Serrote e o Código Florestal

O fato de o Serra ser apoiado pela bancada ruralista e ter tido massiva votação em um município como Marcelândia, cuja economia se baseava na extração ilegal de madeira, indica claramente o que pode acontecer com o Código Florestal e a biodiversidade brasileira se ele for eleito. Em nome de toda a sua luta e história de vida, Marina não poderia ficar neutra nesses segundo turno.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Imunologia informativa

Sugestão do El Milongueiro: imunologia informativa contra o PIG.
DILMA OU ZÉ-SERROTE
http://www.opiniaoonline.com.br/index.php

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sujeito e objeto

Para ver como se faz uma manipulaçãozinha dizendo-se imprensa idependente, basta observar as vezes em que o Serra é sujeito nas manchetes que aparecem impressas em jornais e sites dos grandes grupos de comunicação nesta semana.
Vocês vão ver que a Dilma agora virou objeto de análises.... objeto de opiniões. Não é mais sujeito.

Aborto

Gostei de ver que ao contrário do que quer fazer entender o Serra, a Dilma não voltou atrás na declaração que ela deu sobre o aborto à revista Marie Claire no ano passado. Entre prisão e atendimento, ela prefere atendimento. E é isso que tem que dizer alguém que pretenda governar esse país. Ainda mais uma mulher. A luta pelo controle de sua reprodução é uma bandeira fundamental do movimento feminista. A pílula tinha dado essa possibilidade, mas até para tomar pílula as mulheres tiveram que fazer revoluções domésticas. E todos esses movimentos tiveram grandes impactos na vida individual e social de um país como o Brasil.
O debate sobre o aborto tomar proporções morais e religiosas nessa eleição só se explica pela costumeira dupla moral nacional.
Se morrem brasileiras quase todos os dias por conta de abortos mal feitos, digam-me: elas são mulheres, amigas, filhas, irmães de quem? Quem pode ser contra a descriminalização do aborto, tendo um caso desses na família? O debate só fica nesse plano porque o movimento feminista no Brasil é realmente insignificante. Onde vocês estão agora? Por que vocês não se organizam e vão dar plantão em um hospital onde se registrem vários casos desse tipo? Chamar atenção dos números. Das pessoas por trás dessas tragédias absolutamente evitáveis. O ato em si já penaliza muitas mulheres. Em uma sociedade de tradição matrifocal nas classes populares, em suma, onde as mulheres costumam carregar toda o peso da criação dos filhos, é muita hipocrisia esses padres e esses políticos evangélicos terem espaço para dar lição de moral. E as mulheres baixarem a cabeça para isso. Levarem ainda essa culpa. Mais essa.