quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Edison Lobão, reforma agrária e a política energética nas mãos do PFL

Já faz alguns anos que observava que os políticos que encabeçavam o ministério das Minas e Energia eram do PFL. Desde a redemocratização. Depois, obviamente, nos anos FHC, eram cadeira cativa. Quando Lula ganhou, pensei: puxa, enfim vamos tirar o PFL da área estratégica! Foi a Dilma para lá. Tempos depois, chamada para apagar o incêndio do governo Lula, ela deixou o Ministério das Minas e Energia e quem foi para lá? Edison Lobão. Quem é ele. Obviamente, da turma do Sarney que migrou do PFL para o PMDB. Ou seja, o PFL voltou e lá está. E quem deixou? Dona Dilma. Aí, há pouco, fiquei sabendo que ao que parece o projeto original do Minha Casa Minha Vida previa placas solares em todas as construções financiadas pelo programa. Quem tirou essa parte substancialmente importante do programa e definidor do nosso futuro em termos de energia, visto que baratearia a captação de energia solar que temos abundante?
Dona Dilma. Como o Lobão continua lá,  e fica falando as asneiras que tem para falar com autoridade o tempo todo, concluo que, novamente, estamos nas mãos desse setor em uma área estratégica.... e que esse governo... apesar de honrosas excessões,  tem encampado algumas das políticas chaves do PFL. Sim, porque o Edison Lobão é antes de tudo um homem de direita. Ele chefiava a comissão que tratava da reforma agrária na Constituinte de 1988 e ajudou a enterrá-la nesta legislação com meio pouco escrupulosos, como descreve bem José Gomes da Silva em seu grande livro sobre esses debates: "O buraco negro da reforma agrária". Bom,  a aprovação do Código Florestal que deixa impunes crimes ambientais, a ameaça sobre direitos adquiridos dos Povos Indígenas,  as proximidade com os setores ruralistas, tipo Katia Abreu, a "Miss Moto-Serra de Ouro", a Usina de Belo Monte, etc. Essas coisas não são por acaso. A turma de sempre está lá. E alguns setores do PT é que julgam que governam o país....
E ainda acreditam que representam a esquerda.
O PFL já mudou de nome, segue sumindo do mapa, mas o pessoal continua lá, em áreas estratégicas. É o projeto deles, irrigado a empreiteiras que segue sendo implantado nesse país. Para o bem das empreiteiras, dos caixa 2 dos políticos  e mal de todos nós. E dá-lhe barragens!!!

domingo, 26 de janeiro de 2014

Eu e o Gato Nildo





Peguei o Gato há uns quase 14 anos atrás. No meio de uma ninhada de vários gatinhos amarelos e brancos, ele, com uma pinta perto do focinho, me chamou atenção. Foi de relance. Em um respiro só, sem olhar para os irmãos dele, porque é injusto só poder pegar um gatinho de uma ninhada tão fofa.
Peguei-o junto com uma cachorra que veio, infelizmente, com Cinomose e morreu pouco depois.  Decidi pegar um cachorro e um gato porque me dei conta que tantos anos de São Paulo não tornava a minha estadia lá temporária e, portanto, eu tinha que viver lá como gostava: com um gato e um cachorro.
Também peguei o Gato porque queria verificar se um ser vivo poderia depender de mim. Se ele permaneceria vivo ao meu lado. Queria testar se eu poderia algum dia ser mãe. Naquela altura, tinha pouco mais de 30 anos e era bastante desconfiada de mim mesma para essa tarefa.  Não encontrava em mim uma generosidade interior e devotada que eu via em todas as mães. Melhor tentar primeiro com bichos.
Há pouco mais de um mês, no dia 24 de dezembro, fui viajar. Eu o vi deitado embaixo da minha mesa, mas atucanada que estava, não o peguei para um colinho de despedida.   Dois dias depois, ao que parece, ele sumiu. E eu, fiquei todo esse mês fora, meio deprimida, porque ele sumiu. Pode ter caído de novo do muro de contenção da minha casa. Mas ele já tinha aprendido a subir! 
Podia estar na casa de um vizinho. Falei com um deles, que disse que não. Que não o via há mais de um mês.
Estou há dois dias em casas, torcendo para que ele volte.
Sonhei com ele há uma semana atrás. Que ele aparecia luminoso, embaixo da mesa, e eu o pegava no colo, como sempre. Ele estava tão brilhante e me deixou feliz.
Fico com as suspeitas de que ele, na sua fidalguia, resolveu ir embora porque sentia que a saúde dele estava frágil e era melhor ir dormir embaixo de um mato até o vento soprar e levá-lo com ele. Não queria, talvez, que eu o visse definhar.
Eu andava braba com ele porque desde que nos mudamos para cá, ele vivia mijando pela casa. Mas nos últimos tempos, depois que ele selou a paz com o gato do vizinho, me pareceu que até o território ele tinha conquistado. Poucos xixis. E ele, garboso, agora vivia em cima do muro.
Por onde anda você, Gato?

domingo, 8 de setembro de 2013

Cadê o Amarildo?

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/os-desaparecidos-do-rio-de-janeiro

Repúblico matéria que fiz há dois anos atrás com números assustadores dessa tragédia carioca demasiadamente cotidiana:

Os Desaparecidos do Rio de Janeiro

Debora lerrer 31 de agosto de 2011 às 15:50h A morte de Juan Moraes, aos 11 anos, durante uma operação policial na Favela Danon, em Nova Iguaçu, em junho, tornou-se um divisor de águas na política de segurança do Rio de Janeiro. Em pouco tempo entrou em duas estatísticas importantes: na de vítima de operação policial e na de desaparecidos que foram mortos.  Por um lado, a morte de Juan demonstrou as circunstâncias nada conformes dos “autos de resistências” registrados por alguns PMs. Mesmo uma perícia realizada oito dias depois revelou que, no local, só  havia balas das armas dos policiais. Com o escândalo, a Polícia Civil baixou uma portaria exigindo mais rigor nas investigações dos autos de resistência. Mas foi a ocultação do cadáver de Juan, que escancarou mais uma vez uma prática frequente no Estado do Rio de Janeiro: o desaparecimento de corpos, sinistra herança da ditadura militar.
Enquanto Sérgio Cabral, o governador do Rio de Janeiro, comemora a redução de 11,4 % de homicídios no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, o número de desaparecidos continua com números expressivos e crescentes. Aumentou de 2.643, em 2010, para 2.879, em 2011, ou seja  9%.  E nessa conta não entram os cadáveres e ossadas encontrados no estado, número que foi 329 em 2010 e 299 em 2011, a maioria dos quais enterrados como indigentes, sem sequer um cruzamento com os registros de desaparecidos. É por conta desses números que Antonio Carlos Costa, presidente do Movimento Rio de Paz  afirma: “Enquanto não houver esclarecimento dos casos de pessoas desaparecidas, qualquer afirmação em termos absolutos sobre redução de homicídio no Rio de Janeiro é chute”.
Na cidade do Rio de Janeiro, uma média de 200 pessoas por mês tem seus sumiços registrados nas delegacias. Embora cerca de 70% dos desaparecidos reapareçam, já que na categoria entram os jovens que fogem de casa e os idosos que se perdem na rua, Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, lembra também que muitos desaparecidos não são registrados. “A gente conhece muitos casos de favelas nas quais uma pessoa foi morta, o corpo não foi encontrado, mas a família não registra por medo da polícia, porque já sabe que as vítima morreu e não tem expectativa de encontrar a pessoa com vida.”
O lavrador Áureo Neves, de 66 anos, perdeu três de seus filhos entre 2005 e 2006. O mais velho, Eduardo, de 33 anos, trabalhava na Comlurb, e o mais novo, Áureo Filho, com 16 anos, o ajudava  a criar porcos em seu sítio na estrada Grajaú-Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Ambos morreram  em supostos confrontos com a polícia.  Do primeiro, Áureo, diz que se envolveu com drogas e que os policiais “cismaram que ele era o dono da boca”. Segundo testemunhas, foi executado depois de ferido na perna no dia 15 de setembro de 2005. Do segundo, afirma, “o envolvimento dele era com namoradinha do morro”. Diz que sua morte foi pura covardia. Voluntário na Brigada de Paraquedistas, em 1964,  viu que o tiro na cabeça do filho foi dado de cima para baixo e pelas costas. Desses, pelo menos, teve o corpo. Já de Leandro, nem isso.
Este filho, segundo Áureo, realmente lhe deu “dor de cabeça”. Cumpria condicional por roubo. No dia 28 de novembro de 2006, a mulher dele, Danielle Fontes, saiu da creche onde trabalhava, em Lins de Vasconcelos, após um telefonema do marido. Leandro tinha sido ferido por policiais em Quintino. Nunca mais ambos foram vistos. Atrás do filho e da nora, chegou a brigar na delegacia, pois lhe repetiam que seu filho era bandido. “Pobre não consegue nada. É um aborto da natureza. Não pode constituir advogado, não pode nem estar ali direto na delegacia.”  Tanto Áureo como a filha do casal, então com 4 anos, tiraram sangue para checar o DNA com corpos encontrados, mas nas duas únicas checagens deu negativo.
A categoria “desaparecido” entrou no vocabulário da violência no Brasil através dos presos políticos, a maioria dos quais, filhos de famílias da classe média, se organizam em grupos como o “Tortura Nunca Mais”e mantêm a boca no trombone desde a redemocratização do país. São ao todo 379 desaparecidos políticos no Brasil, presumidamente mortos pela repressão.
O Instituto de Segurança Pública realizou uma pesquisa sobre desaparecidos pós-ditadura em cima das ocorrências registradas do ano de 2007. De acordo com os dados coletados com uma amostra contatada por telefone, concluiu-se que cerca de 71,3% dos desaparecidos haviam reaparecido vivos, 14,7% não reapareceram; 6,8% reapareceram mortos, 4,4 % não obteve informação; e 2,9% tiveram seu registro de desaparecimento não confirmado pela família.  Fazendo uma estimativa com o índice – considerado subestimado -  de 6,8% de desaparecidos comprovadamente assassinados em relação ao universo dos casos registrados de 2000 a junho de 2011,  que é a cifra de 54.479, daria 3.704 casos,  praticamente dez vezes a mais de vítimas do que no tempo da ditadura.
Em zonas como a Baixada Fluminense, a ida a uma festa pode significar  risco para jovens como Fábio Eduardo Santos de Souza, então com 20 anos. No dia 9 de junho de 2003, ele e Rodriguo Aubílio,  de 19 anos, foram vistos pela última vez depois de deixarem uma amiga em casa, após uma festa junina. Segundo sua mãe, Izildete Santos da Silva, de 60 anos,  testemunhas viram ambos levando uma “dura” de policiais e sendo colocados no camburão. Em busca por Fábio desde esse dia, Izildete chegou a escutar na delegacia para  “não se preocupar” que ele devia ter ido “trabalhar para a Petrobras”.  Três meses depois, outro filho, Wallace, então com 16 anos, foi pego durante a inauguração de uma discoteca. Dessa vez, no meio da madrugada, vieram lhe avisar e ela saiu correndo atrás de seu paradeiro. Este, conta ela, foi despido, estava de joelhos em um terreno baldio, quando seus algozes  mandaram-no correr.  Foi solto, relata ela,  porque um “bêbado” notório na região testemunhava a  cena. Este levou Walace para casa, deu-lhe uma bermuda, mandou-o embora dali e depois sumiu da região. A peregrinação de dona Izildete pelo filho lhe acarretou ameaças à sua vida e à de seu filho “especial”, que depois do sumiço do irmão “Iba”, que cuidava dele, nunca mais voltou a andar e a falar.
O pesquisador Fábio Araújo, que faz doutorado na UFRJ em cima desse tema, aponta que o desaparecimento de corpos de pessoas assassinadas é uma prática comum “no repertório da violência urbana” do Rio de Janeiro. Esses casos não são geralmente investigados porque “se não há corpo, não há crime”, como dizem delegados e policiais. Além disso, segundo ele, a maior parte dessas vítimas são pobres,  moram em territórios dominados pelo tráfico ou pela milícia e se sentem intimidados na delegacia.  Agora, dona Izildete, que conhece pelo menos um dos policiais que abordaram o filho, luta para desarquivar o caso, encerrado por falta de provas em 2007.
Morte sem fim
Enquanto algumas mães levam suas denúncias adiante apesar das ameaças, algumas famílias ainda temem pela integridade de seus membros quando seus casos são  divulgados. Não é um medo vão. Basta lembrar que Edméia da Silva Euzébio, uma das famosas “Mães de Acari”, foi assassinada em  1993, quando fazia uma investigação paralela da morte do filho, Luiz Henrique Euzébio, de 17 anos.
Esse é o caso de Jaqueline,[1] cujo filho, Mateus, sumiu em Ramos, Zona Norte do Rio, no dia 9 de dezembro de 2006. Foi visto pela última vez na entrada da vila onde ficava a quitinete do amigo, Anderson.  Mateus era vistoriador de contêineres no porto. Tinha 23 anos, era casado e tinha um filho de  4 anos.  Naquele dia, Jaqueline tinha  falado várias vezes com o filho ao telefone. Ambos estavam trabalhando e combinaram ir ao shopping fazer “umas comprinhas de fim de ano”. No final do dia, depois de um desencontro entre os dois, Jaqueline, cansada, resolveu ir para a casa sem a esticada no shopping. Em seu último contato com o filho, ele estava na casa da avó.
No domingo, atrás de seu paradeiro, soube que “teve um problema lá”, na casa de Anderson. A quitinete, que até o dia anterior era mobiliada, estava vazia e com o chão lavado. Encontrou uma amiga deles ferida e com medo. Ouviu que “uns encapuzados”  pegaram Mateus e o amigo e os torturaram. Concluiu que foram mortos  por milicianos que aterrissaram em Ramos, 15 dias antes.
A mãe buscou notícias do filho em todos os hospitais, nos batalhões, na delegacia por semanas. “Não tem um dia em que eu não chore por ele”, diz ela. Quase dois meses depois, no dia 23 de janeiro, apareceu um corpo de um rapaz branco no Piscinão de Ramos. Ela só pôde reconhecê-lo por fotografia e no computador. O marido conseguiu ver a marca da bermuda do corpo, justamente a que Mateus gostava de vestir.  Quando levou a cópia de  arcada dentária do filho, então perfeita,  para fazer a comparação, a perita descartou de imediato, dizendo que  faltava um dente da frente na arcada do corpo. “É estranho jovem hoje em dia sem o dente da frente”, desconfiou ela. Sentia que podia ser o filho, queria um exame de DNA  ou pelo menos o acesso à sua arcada dentária,  mas não conseguiu impedir que fosse enterrado como indigente. Trâmites burocráticos difíceis de cumprir em 72 horas, para quem não tem dinheiro para pagar um bom advogado. Mais tarde, no mês de maio, conseguiram, através da defensoria pública, um levantamento de todos os corpos de indigentes enterrados  naquele período. Jaqueline tinha o Boletim de Ocorrência do encontro do corpo que julgava ser de seu filho, com o registro de 021-0558/2007. Ao ser transferido para o IML, o corpo passou a ser identificado como corpo da “guia 23”, da 21 DP. No levantamento, o “homem guia 23/21 DP”   tinha falecido em 7 de fevereiro.
Além de ser uma morte sem fim, já que não há corpo, sepultura e um momento específico para o luto,  um desaparecido que nunca vai voltar, como Mateus,  gera uma série de desgastes civis para suas famílias. Sem atestado de óbito,  foi demitido por justa causa, sem direito à indenização. Seus dependentes ficaram anos sem direito à pensão nem ao seguro de vida.  O carro, com mais da metade das prestações pagas – cuja propriedade seria de Mateus em caso de morte – ficou perdido.
O deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Marcelo Freixo, acredita que o número dos desaparecidos no Rio de Janeiro tem aumentado nos últimos anos em razão do advento das milícias.  Os números do Instituto de Segurança Pública corroboram essa tese. Há um crescimento expressivo do número de desaparecimentos nas Zona Norte e Oeste do Rio de Janeiro, onde há notória presença de milícias,  se comparados os dados entre 2006 e 2010. Na Zona Norte, o número aumentou 16%, saindo de 843, em 2006, para 979, em 2010.  Já na Zona Oeste o salto é ainda mais expressivo: foram 638 desaparecidos em 2006 e 1.038 em 2010, ou seja um aumento de 62,5 %.
Maurício Campos, do Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, explica que entre 2006 e 2008 houve a implantação das milícias  nessas regiões e a prática de extermínio é geralmente usada como “moeda de troca dos grupos mafiosos na hora de se impor territorialmente”.  Embora o desaparecimento de corpos  possa ser vinculado a três atores: o tráfico, a polícia e a milícia, para Campos, é difícil separar as duas últimas categorias, pois geralmente miliciano é o policial sem farda, em seu bico nas  horas de folga. Essa dupla jornada tem sua origem na ditadura militar, nos grupos de extermínio pára-oficias, como o Esquadrão da Morte, que faziam o trabalho sujo e iam embora. “Agora a novidade é a presença territorial constante das milícias.” Para ele, a diminuição dos “autos de resistência”,  que caiu 25% de janeiro a junho de 2011, se comparado a 2010,  pode encobrir esses crimes, pois a política de extermínio continua. “Estes policiais deixam de registrar autos de resistência fardados e vão praticar o desaparecimento sem farda, sequestrando e sumindo com os corpos.”
Para Ignácio Cano, é necessário ter mais evidências  para se fazer uma conclusão nesse sentido. Concorda que quando a milícia entra em um território há um maior índice de assassinatos, mas acha que não dá para atribuir às milícias o aumento recente do número de desaparecidos. “Eles não precisam matar tanto depois de controlar o território. Teríamos que encontrar uma explicação de porque a milícia agora está sumindo com os corpos.” Cano inclusive tende a acreditar que a milícia mata menos do que o tráfico  porque não precisa estar em disputa constante de território e não troca tiro com a polícia.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre as manifestações

É  fato de uma nova geração estar indo para as ruas. Eu já tinha sentido isso no ano passado durante a greve das universidades. Uma insatisfação com os rumos partilhada por muita gente, que não vê essa vontade coletiva expressa e respeitada. E o transporte público no Brasil é um escândalo. Caríssimo. Péssimo. Se há algo que precisa ser subsidiado é o transporte público. Economizaria espaço, tempo e saúde das populações da cidade.
O David Harvey, o geógrafo marxista britânico defende que as lutas que estão se dando nas cidades contra o avanço do capital é onde se pode localizar o tal sujeito histórico que em outras épocas levava o nome de "proletário". Aqui, também acho que enfim está saindo para as ruas uma nova geração, que processa essas contradições que a gente assiste diariamente neste país e que resolveu se expressar. Os brasileiros são rápidos para aprender e inovar politicamente. Nosso problema sempre foram os "donos do poder" que possuem tentáculos impressionantes e uma ganância sem limites. Copa, Olimpíadas e etc. estão sendo perfeitos para isso. E as pessoas estão indignadas. O bom é que essa geração não tem as conexões da minha, que foi formada politicamente no fim da ditadura e considerava a estrela do PT a salvação da lavoura nacional. Infelizmente, como se sabe, eles passaram a servir muito mais aos ruralistas e mantiveram quase tudo como dantes, com um avancinho aqui, outro acolá. Mas que já inspira muito a sanha desvairada da nossa direita histórica, que não ousa nunca dizer o seu nome para nos deixar ainda mais confusos. E para completar, as cidades estão cheia de carros, o transporte público no país é caríssimo comparado ao de qualquer país latino-americano. E aqui no Rio, corre-se risco de vida diário ao se andar de ônibus. Todos sabem que o serviço é controlado por uma máfia regularizada, os serviços privatizados como barcas, metrô e trens oferecem torturas diárias a seus usuários que pagam bem caro por isso e... bom, um dia, felizmente, a panela de pressão estoura. Vamos ver onde vamos parar. Nessas enxurradas, muitos "castelos" sólidos devem se desmanchar pelos ares....A primavera árabe enfim chega às nossas praças e ruas. Vamos ter que cuidar para que ela não escorregue das nossas mãos e se torne mais um embuste a nos enganar, tão desejosos somos de alguma redenção - que não seja apenas a outorgada por dribles futebolísticos da Seleção Canarinho.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A louca barrageira

Hoje vi que a Dilma diz que ainda há espaço para hidrelétricas na Amazônia. Com o tanto de sol que tem o Brasil, essa legítima "louca barrageira" deveria estar preocupada em desenvolver tecnologia para aproveitá-lo do que em enriquecer a plutocracia brasileira das empreiteiras.
Mas não é o caso dela nem da "companheira" Glesi Hoffmann.
O horrível é que elas expressam a ignorância crônica das elites brasileiras sobre o que é "desenvolvimento", esse que nós copiamos do "american way of life".  Alguns enriquecem bem. Uma camada da classe média também, mas a maioria se dana mesmo. E danam-se os caipiras, caboclos, caiçaras e matutos de todo esse país. Danam-se os indígenas, danam-se os quilombolas. Assim enriquecemos bastante alguns lugares desse mundo e do Brasil. O resto fica com as migalhas e, pior, perde-se de si. Perde a pátria.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Brasil e o seu sistema oligárquico de representação



Nas escolas brasileiras, quando se ensina o que quer dizer oligarquia, devíamos ensinar que vivemos em uma “democracia baseada em um sistema oligárquico de representação”.  
Não sou eu que cunhei essa expressão. Foi um cientista político, que eu não me lembro o nome, citado pelo Miguel Carter, outro  pesquisador do tema formado na Columbia University, EUA, em seu magnífico livro organizado sobre Movimento Sem Terra do Brasil. 
Portanto, nosso problema não é Sarney, Renan Calheiros. É o Senado todo, cabide de emprego almejado por todos os ex-governadores e candidatos a governadores e presidentes do país. O Senado é totalmente desnecessário. Surgiu não sei bem por que, baseado em algo romano, mas no caso brasileiro, apenas 15% dos eleitores elegem 51% dos senadores. Alguns diriam que esse desequilíbrio de representação serve para manter a nossa unidade nacional, o pacto federativo. O argumento é plausível para outros tempos, mas agora não me parece que andemos com risco de desfragmentar essa unidade, portanto, creio que o Senado atualmente só serve para fortalecer os interesses dessa oligarquia que manda no país. Se é o caso de garantir um emprego aos ex-governadores- porque me parece que é mais disso que se trata - que se crie uma poupança vitalícia para o sujeito. Assim, não continuaríamos a ver esses lamentáveis episódios de venaliadades de diversos graus e escalões na nossa frente. Sairia mais barato para o erário público, até porque os cargos de servidores existentes no Senado são de fato uns dos mais bem pagos de Brasília.  A Câmara dos Deputados também tem uma representação desproporconal, o que favorece que exista uma excrescência chamada Bancada Ruralista que representa, de fato umas cerca de 200 mil famílias. E em nome dos interesses dessa enorme minoria, detona com o Código Florestal e, fortalecida depois dessa vitória, quer mexer em outros pilares da nossa Constituição para atender seus mais diretos interesses.  Vamos deixar que a “ordem fazendeira” domine esta nação?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Província extremista

Porto Alegre é uma província extremista. Muito calor no verão. Muito frio no inverno. Extremos climáticos.  E gente vestida de vermelho ou azul. Quase como uma farda. Ou vermelho, ou azul.
Capital de  um extremo geográfico do Brasil. Hoje a vejo demolindo-se. Era arquitetonicamente bela. Hoje está à venda. Não sei quantos prédios novos estão programados para sair nesta nova arquitetura esquisita desses tempos de templos de consumo. Só sei que se vão minhas referências da cidade. Foram indo. Algumas aos poucos. Outras de uma hora para outra. Em mim, esse processo começou com o fim dos cinemas. O fim do ABC e seu tapete vermelho incrivelmente fofo recebendo os convivas das  sessões da meia-noite. Muitas delas, dormidas. Foi-se o Bar João e suas cachaças incríveis, o Baltimore e o cinema-escola Bristol.
Ficou a Casa de Cultura Mario Quintana. Mas até esteve  fadada a ir-se embora, não fosse o Mario Quintana. Também quase se foi o Mercado Público. Essas permanencias foram lutadas. E ficaram como símbolos. Mas a nova onda especulativa chegou e está varrendo a cidade novamente. Infelizmente, desta vez com péssimo gosto.