quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Imunologia informativa

Sugestão do El Milongueiro: imunologia informativa contra o PIG.
DILMA OU ZÉ-SERROTE
http://www.opiniaoonline.com.br/index.php

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sujeito e objeto

Para ver como se faz uma manipulaçãozinha dizendo-se imprensa idependente, basta observar as vezes em que o Serra é sujeito nas manchetes que aparecem impressas em jornais e sites dos grandes grupos de comunicação nesta semana.
Vocês vão ver que a Dilma agora virou objeto de análises.... objeto de opiniões. Não é mais sujeito.

Aborto

Gostei de ver que ao contrário do que quer fazer entender o Serra, a Dilma não voltou atrás na declaração que ela deu sobre o aborto à revista Marie Claire no ano passado. Entre prisão e atendimento, ela prefere atendimento. E é isso que tem que dizer alguém que pretenda governar esse país. Ainda mais uma mulher. A luta pelo controle de sua reprodução é uma bandeira fundamental do movimento feminista. A pílula tinha dado essa possibilidade, mas até para tomar pílula as mulheres tiveram que fazer revoluções domésticas. E todos esses movimentos tiveram grandes impactos na vida individual e social de um país como o Brasil.
O debate sobre o aborto tomar proporções morais e religiosas nessa eleição só se explica pela costumeira dupla moral nacional.
Se morrem brasileiras quase todos os dias por conta de abortos mal feitos, digam-me: elas são mulheres, amigas, filhas, irmães de quem? Quem pode ser contra a descriminalização do aborto, tendo um caso desses na família? O debate só fica nesse plano porque o movimento feminista no Brasil é realmente insignificante. Onde vocês estão agora? Por que vocês não se organizam e vão dar plantão em um hospital onde se registrem vários casos desse tipo? Chamar atenção dos números. Das pessoas por trás dessas tragédias absolutamente evitáveis. O ato em si já penaliza muitas mulheres. Em uma sociedade de tradição matrifocal nas classes populares, em suma, onde as mulheres costumam carregar toda o peso da criação dos filhos, é muita hipocrisia esses padres e esses políticos evangélicos terem espaço para dar lição de moral. E as mulheres baixarem a cabeça para isso. Levarem ainda essa culpa. Mais essa.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Será que enfim a imprensa tupiniquin vai ficar nua?

O episódio da demissão de Maria Rita Kehl do "Estadão" pelo que ela mesma denominou de "delito de opinião", por ter criticado em seu artigo semanal a desqualificação que se fazia do voto dos pobres nesta eleição, me encheu de esperanças de que talvez a era das nove famílias donas dos meios de comunicação do Brasil esteja mesmo chegando a seu ocaso.
Tudo bem. Sou meio otimista. Já vi um caso parecido com esse há anos atrás envolvendo o Veríssimo e a Zero Hora. Mas ele, que declarara voto ao PT ou a Lula, não me lembro mais, já era tão maior do que a Rede Brasil Sul de Comunicação que eles tiveram que continuar engolindo suas opiniões. Nada mudou muito. Mas foi um escândalo e tanto em Porto Alegre.
Mas os sinais desse ocaso dos barões da mídia já estavam evidentes nas últimas eleições presidenciais, em 2006, quando o Alkmin conseguiu chegar no segundo turno. Um correspondente espanhol, amigo meu, me chamou atenção para o fato de que ele nunca tinha visto uma situação em que a imprensa de um país simplesmente não tinha a menor conexão com a vontade e a opinião da maioria da população. Ele me deu a entender que lhe parecia que a mídia brasileira funcionava como um ente em separado de sua sociedade. Havia um fosso entre o que os colunistas e a maioria dos jornalistas publicava nos jornais e a opinião da população. Mas ele não falava da maioria esmagadora que não lia jornais. Falava das pessoas com quem ele convivia, com quem ele lidava fazendo seu trabalho, vivendo no Brasil.
Mas não se pode subestimar o poder dessa turma. Mais ou menos as mesmas famílias apoiaram o Golpe de 64, atemorizados com a "república sindicalista do Jango". Só não esperavam, junto com o Carlos Lacerda, que os milicos iam gostar de ficar no poder, não iam devolver o controle do Estado assim de mão beijada para eles, e até, que iam engrossar também com eles a partir de 68.
Mas tudo isso, afinal de contas começou antes. Quem leu o belo livro de memórias do Samuel Wainer sabe que o clima começou a ficar pesado com o Getúlio justamente porque o Banco do Brasil, sob sua batuta, ousou dar um empréstimo para aquele judeuzinho metido montar uma cadeia de jornais que tinha condições de competir com eles, pois embora mais simpática ao ex-ditador que voltou nos braços do povo, a cadeia de jornais "Última Hora" foi feita por um jornalista experiente, criativo, que levou ótimas cabeças para trabalhar com ele e, com isso, arrebatou leitores, ameaçando os latifúndios de opinião da época, entre eles os Mesquita e os Marinho.
Em suma, mexer com essa turma é complicado. Sempre foi. Eles jogam o jogo sujo de quem tem muitos privilégios a preservar. Tinham sempre ótimos contatos e contratos com o Estado. E devem ter perdido nos últimos anos.
São efetivamente competentes no que fazem, mas de repente, quem diria, estão efetivamente ameaçados.
Sempre achei que era incompetência da esquerda brasileira não ter conseguido nunca implantar um jornal diário mais progressista. Ter essa crônica dificuldade de ter veículos de comunicação que não sejam meros "lisonjeadores de fatos", parafraseando o Balzac. Afinal, jornalismo sempre vai ser, "publicar algo que alguém não quer ver publicado, o resto é publicidade", como bem definiu George Orwell.
De qualquer modo temos grandes jornalistas e corajosos editores, como o Mino Carta, que sempre levam adiante essa idéia. Mas é muito pouco para um país como o nosso, não é?
Mas pensando bem, o jogo contra essas iniciativas sempre foi bem pesado. Tanto é que que os próprios jornalistas, apegados a seus empregos e visibilidades nos grandes meios de comunicação, nunca tenham sequer conseguido se organizar e se unir para apoiar um Conselho Nacional de Jornalistas e tenham perdido a validade de seus diplomas, em uma época em que até flanelinha anda conseguindo ter registro profissional em Brasília.
Felizmente, na era dos blogs e das redes sociais, as pessoas agora buscam se informar de outras formas. Iniciam movimentos para cancelar assinaturas, como já houve no Rio Grande do Sul, com o "Zero Fora" e como parece ter ocorrido em São Paulo recentemente com a "Falha de S. Paulo".
Mas realmente alguma coisa de muito séria deve estar ameaçando eles com a possível continuidade do governo Lula através da Dilma.
Só assim, um jornal com a credibilidade que tinha o Estadão, sempre claramente conservador, mas com articulistas arejados....dá esse vexame!!!
Enfim, eles estão ficando enfim nus para a sociedade brasileira.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Um braço do corpo

As mulheres, podem e talvez devam ver o filho pequeno como um braço de seu corpo, que se afasta dela só a medida em que ele puder projetar-se pleno e em segurança.
Cabe ao filho se projetar pleno para longe do seu corpo, em direção ao mundo dele, que ele irá criar para ele, não importa o tamanho desse mundo. A segurança possível é a capacidade que se procura desenvolver na criança de avaliar os riscos pelas quais vai passar, já que nunca há total segurança. E assim começa a partida nesse tabuleiro.

domingo, 19 de setembro de 2010

20 de setembro

Me contaram que os funcionários de lojas de cadeias como o Ponto Frio e Casas Bahia em Porto Alegre estão usando lenço vermelho em homenagem à Revolução Farroupilha, comemoranda no dia 20 de setembro. Creio que esses grupos comerciais compraram pontos das antigas cadeias de lojas de eletrodomésticos que haviam no Rio Grande do Sul. Havia o Grazziotin, o Manlec...outros mais....Mas é curioso a necessidade de que os funcionários das lojas forasteiras tenham que usar esse adereço como que para pedir licença para estar aí, explorando o mercado gaúcho.
Também cantaram o hino rio-grandense na abertura do jogo do Inter contra o Vasco. Deve ter espantado os vascaínos tal demonstração de patriotismo regional.
Mas foi o 20 de setembro.