O episódio da demissão de Maria Rita Kehl do "Estadão" pelo que ela mesma denominou de "delito de opinião", por ter criticado em seu artigo semanal a desqualificação que se fazia do voto dos pobres nesta eleição, me encheu de esperanças de que talvez a era das nove famílias donas dos meios de comunicação do Brasil esteja mesmo chegando a seu ocaso.
Tudo bem. Sou meio otimista. Já vi um caso parecido com esse há anos atrás envolvendo o Veríssimo e a Zero Hora. Mas ele, que declarara voto ao PT ou a Lula, não me lembro mais, já era tão maior do que a Rede Brasil Sul de Comunicação que eles tiveram que continuar engolindo suas opiniões. Nada mudou muito. Mas foi um escândalo e tanto em Porto Alegre.
Mas os sinais desse ocaso dos barões da mídia já estavam evidentes nas últimas eleições presidenciais, em 2006, quando o Alkmin conseguiu chegar no segundo turno. Um correspondente espanhol, amigo meu, me chamou atenção para o fato de que ele nunca tinha visto uma situação em que a imprensa de um país simplesmente não tinha a menor conexão com a vontade e a opinião da maioria da população. Ele me deu a entender que lhe parecia que a mídia brasileira funcionava como um ente em separado de sua sociedade. Havia um fosso entre o que os colunistas e a maioria dos jornalistas publicava nos jornais e a opinião da população. Mas ele não falava da maioria esmagadora que não lia jornais. Falava das pessoas com quem ele convivia, com quem ele lidava fazendo seu trabalho, vivendo no Brasil.
Mas não se pode subestimar o poder dessa turma. Mais ou menos as mesmas famílias apoiaram o Golpe de 64, atemorizados com a "república sindicalista do Jango". Só não esperavam, junto com o Carlos Lacerda, que os milicos iam gostar de ficar no poder, não iam devolver o controle do Estado assim de mão beijada para eles, e até, que iam engrossar também com eles a partir de 68.
Mas tudo isso, afinal de contas começou antes. Quem leu o belo livro de memórias do Samuel Wainer sabe que o clima começou a ficar pesado com o Getúlio justamente porque o Banco do Brasil, sob sua batuta, ousou dar um empréstimo para aquele judeuzinho metido montar uma cadeia de jornais que tinha condições de competir com eles, pois embora mais simpática ao ex-ditador que voltou nos braços do povo, a cadeia de jornais "Última Hora" foi feita por um jornalista experiente, criativo, que levou ótimas cabeças para trabalhar com ele e, com isso, arrebatou leitores, ameaçando os latifúndios de opinião da época, entre eles os Mesquita e os Marinho.
Em suma, mexer com essa turma é complicado. Sempre foi. Eles jogam o jogo sujo de quem tem muitos privilégios a preservar. Tinham sempre ótimos contatos e contratos com o Estado. E devem ter perdido nos últimos anos.
São efetivamente competentes no que fazem, mas de repente, quem diria, estão efetivamente ameaçados.
Sempre achei que era incompetência da esquerda brasileira não ter conseguido nunca implantar um jornal diário mais progressista. Ter essa crônica dificuldade de ter veículos de comunicação que não sejam meros "lisonjeadores de fatos", parafraseando o Balzac. Afinal, jornalismo sempre vai ser, "publicar algo que alguém não quer ver publicado, o resto é publicidade", como bem definiu George Orwell.
De qualquer modo temos grandes jornalistas e corajosos editores, como o Mino Carta, que sempre levam adiante essa idéia. Mas é muito pouco para um país como o nosso, não é?
Mas pensando bem, o jogo contra essas iniciativas sempre foi bem pesado. Tanto é que que os próprios jornalistas, apegados a seus empregos e visibilidades nos grandes meios de comunicação, nunca tenham sequer conseguido se organizar e se unir para apoiar um Conselho Nacional de Jornalistas e tenham perdido a validade de seus diplomas, em uma época em que até flanelinha anda conseguindo ter registro profissional em Brasília.
Felizmente, na era dos blogs e das redes sociais, as pessoas agora buscam se informar de outras formas. Iniciam movimentos para cancelar assinaturas, como já houve no Rio Grande do Sul, com o "Zero Fora" e como parece ter ocorrido em São Paulo recentemente com a "Falha de S. Paulo".
Mas realmente alguma coisa de muito séria deve estar ameaçando eles com a possível continuidade do governo Lula através da Dilma.
Só assim, um jornal com a credibilidade que tinha o Estadão, sempre claramente conservador, mas com articulistas arejados....dá esse vexame!!!
Enfim, eles estão ficando enfim nus para a sociedade brasileira.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Um braço do corpo
As mulheres, podem e talvez devam ver o filho pequeno como um braço de seu corpo, que se afasta dela só a medida em que ele puder projetar-se pleno e em segurança.
Cabe ao filho se projetar pleno para longe do seu corpo, em direção ao mundo dele, que ele irá criar para ele, não importa o tamanho desse mundo. A segurança possível é a capacidade que se procura desenvolver na criança de avaliar os riscos pelas quais vai passar, já que nunca há total segurança. E assim começa a partida nesse tabuleiro.
Cabe ao filho se projetar pleno para longe do seu corpo, em direção ao mundo dele, que ele irá criar para ele, não importa o tamanho desse mundo. A segurança possível é a capacidade que se procura desenvolver na criança de avaliar os riscos pelas quais vai passar, já que nunca há total segurança. E assim começa a partida nesse tabuleiro.
domingo, 19 de setembro de 2010
20 de setembro
Me contaram que os funcionários de lojas de cadeias como o Ponto Frio e Casas Bahia em Porto Alegre estão usando lenço vermelho em homenagem à Revolução Farroupilha, comemoranda no dia 20 de setembro. Creio que esses grupos comerciais compraram pontos das antigas cadeias de lojas de eletrodomésticos que haviam no Rio Grande do Sul. Havia o Grazziotin, o Manlec...outros mais....Mas é curioso a necessidade de que os funcionários das lojas forasteiras tenham que usar esse adereço como que para pedir licença para estar aí, explorando o mercado gaúcho.
Também cantaram o hino rio-grandense na abertura do jogo do Inter contra o Vasco. Deve ter espantado os vascaínos tal demonstração de patriotismo regional.
Mas foi o 20 de setembro.
Também cantaram o hino rio-grandense na abertura do jogo do Inter contra o Vasco. Deve ter espantado os vascaínos tal demonstração de patriotismo regional.
Mas foi o 20 de setembro.
sábado, 28 de agosto de 2010
O futebol foi inventado pelos Kambebas no Amazonas
Leia em:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/colunistas/rsamuel/rs0174.php
http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/colunistas/rsamuel/rs0174.php
sábado, 21 de agosto de 2010
A zona de guerra carioca
Mais uma cena de guerra aqui no Rio....traficantes voltam, doidões, de uma festa no Vidigal e provocaram simplesmente uma zona de guerra no Rio.... cidade sempre à flor da pele...Morre uma pessoa. Uma mulher com mandato de prisão. Imagino em que em um ambiente totalmente armado como o Estados Unidos... Ia virar um massacre. Em suma, temos grandes chances de nos salvar de nós mesmos. É só deixarmos de ser hipócritas.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Malandro
Para existir malandro, tem que existir otário.
Mas quando o malandro pensa que é o mais malandro dos malandros, o otário vira malandro e o malandro se estrepa.
by Diniz
Mas quando o malandro pensa que é o mais malandro dos malandros, o otário vira malandro e o malandro se estrepa.
by Diniz
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Internacional na final da Libertadores pela Globo
É curioso, mas de fato, a cobertura jornalística do futebol brasileiro é sudeste-centrada. Mas é curioso quando a gente se dá conta disso de forma escandalosa. Pode ser que eu tenha pego a tal síndrome de perseguição, mas vocês já viram um jogo em que um time bateu tanto e claramente no outro e nenhum comentador do jogo observou isso como no de ontem, dia 5 de agosto de 2010, entre o Internacional e o São Paulo por uma vaga na final da Libertadores???
Nem mesmo o suposto colorado do Falcão.
Os jogadors do São Paulo não ganharam nenhum cartão amarelo apesar de cotoveladas e faltas homéricas em cima dos jogadores do Inter. E nem uma linha, uma palavra sobre isso.
O negócio é tão sudeste centrado que só porque o efetivo ganhador é um jogador da província é que ao invés dos repórteres irem atrás dos ganhadores, foram atrás dos perdedores. O áudio da cobertura de fim de jogo era simplesmente meio esquizofrênico. Enquanto câmaras pareciam mais afinados com o espírito do resultado, os repórteres entrevistavam não os ganhadores, mas sim os outros...chorando suas mágoas.
É muito curioso.
Felizmente, apesar de considerar trágico ter que ganhar do time do Fernandão, herói da conquista do Mundial de 2006, o Inter, demonstrou raça e um jogo efetivamente superior. Embora o futebol seja imprevisível como a vida e nem todo melhor time ganhe o campeonato...o fato é que o Inter é que merecia ganhar essa. E que alívio ele ter ganhado mesmo.
Mas esse episódio me faz pensar como foi a cobertura na década de 70 das vitórias do Inter no Brasileirão. Será que sempre foi assim??
Nem mesmo o suposto colorado do Falcão.
Os jogadors do São Paulo não ganharam nenhum cartão amarelo apesar de cotoveladas e faltas homéricas em cima dos jogadores do Inter. E nem uma linha, uma palavra sobre isso.
O negócio é tão sudeste centrado que só porque o efetivo ganhador é um jogador da província é que ao invés dos repórteres irem atrás dos ganhadores, foram atrás dos perdedores. O áudio da cobertura de fim de jogo era simplesmente meio esquizofrênico. Enquanto câmaras pareciam mais afinados com o espírito do resultado, os repórteres entrevistavam não os ganhadores, mas sim os outros...chorando suas mágoas.
É muito curioso.
Felizmente, apesar de considerar trágico ter que ganhar do time do Fernandão, herói da conquista do Mundial de 2006, o Inter, demonstrou raça e um jogo efetivamente superior. Embora o futebol seja imprevisível como a vida e nem todo melhor time ganhe o campeonato...o fato é que o Inter é que merecia ganhar essa. E que alívio ele ter ganhado mesmo.
Mas esse episódio me faz pensar como foi a cobertura na década de 70 das vitórias do Inter no Brasileirão. Será que sempre foi assim??
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