É curioso, mas de fato, a cobertura jornalística do futebol brasileiro é sudeste-centrada. Mas é curioso quando a gente se dá conta disso de forma escandalosa. Pode ser que eu tenha pego a tal síndrome de perseguição, mas vocês já viram um jogo em que um time bateu tanto e claramente no outro e nenhum comentador do jogo observou isso como no de ontem, dia 5 de agosto de 2010, entre o Internacional e o São Paulo por uma vaga na final da Libertadores???
Nem mesmo o suposto colorado do Falcão.
Os jogadors do São Paulo não ganharam nenhum cartão amarelo apesar de cotoveladas e faltas homéricas em cima dos jogadores do Inter. E nem uma linha, uma palavra sobre isso.
O negócio é tão sudeste centrado que só porque o efetivo ganhador é um jogador da província é que ao invés dos repórteres irem atrás dos ganhadores, foram atrás dos perdedores. O áudio da cobertura de fim de jogo era simplesmente meio esquizofrênico. Enquanto câmaras pareciam mais afinados com o espírito do resultado, os repórteres entrevistavam não os ganhadores, mas sim os outros...chorando suas mágoas.
É muito curioso.
Felizmente, apesar de considerar trágico ter que ganhar do time do Fernandão, herói da conquista do Mundial de 2006, o Inter, demonstrou raça e um jogo efetivamente superior. Embora o futebol seja imprevisível como a vida e nem todo melhor time ganhe o campeonato...o fato é que o Inter é que merecia ganhar essa. E que alívio ele ter ganhado mesmo.
Mas esse episódio me faz pensar como foi a cobertura na década de 70 das vitórias do Inter no Brasileirão. Será que sempre foi assim??
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Paulo Moura
Dois discos do Paulo Moura, o clássico “Mistura e Manda” e o célebre “Encontro” com Clara Sverner, Turíbio Santos e Olívia Bynton me abriram uma senda musical que é marcante na minha vida e, provavelmente, na de outros de seus ouvintes da minha geração. Chorinho, música clássica, samba, tudo do que melhor foi produzido na nossa música sendo tocado e servindo de matéria-prima para improvisos de tirar o fôlego por um virtuose do clarinete, do sax, com sua nobre e negra elegância. Sua forma de tocar, seus gestos e seu refinamento musical me abriram as portas para a estonteante música instrumental brasileira tão repleta de maravilhosos artistas.
Foi, provavelmente, escutando duas fitas que reproduziam esses discos na gélida Dinamarca, que devo ter decidido que algum dia tinha que morar no Rio de Janeiro para me “banhar” de Brasil.
Alguns anos mais tarde ampliei minha reserva de suas obra quando topei com um CD que reproduzia o célebre encontro de Paulo Moura com Artur Moreira e Lima, Elomar e Heraldo do Monte, o “ConSertão” em que Paulo Moura arrasa solando na “Valsa da Dor”, de Villa Lobos e em mais outras faixas também eternas. Minha admiração por ele me fez certa vez despencar de carona, com uma amiga companheira de aventuras, de uma praia em Santa Catarina para ver um concerto dele em Porto Alegre em pleno Teatro São Pedro. Quando, enfim, chegamos o concerto já tinha começado, mas sorvi aquela música como um presente inesquecível. Achava imperdível vê-lo encher com sua música aquele que é ainda o mais belo teatro da capital gaúcha. Me parecia o único cenário a altura para vê-lo ao vivo a primeira vez. Morei ano em São Paulo e devo tê-lo visto tocando lá algumas vezes. Mas foi em uma visita no Rio, quando topei com ele saindo daquele antiquário que se fazia de bar com chorinho à noite, na rua Lavradio, que me senti perto. Não o escutei tocando, mas me senti tão feliz de cruzar tão normalmente com ele que devo ter esboçado alguma reação. Talvez ele não estivesse acostumado com tietes.
Só não entendo o que deu em mim por não tê-lo visto tocar aqui no Rio nestes últimos seis anos que moro nesta cidade. Vai ver que o considerava tão eterno que não me esforcei o bastante. Ele então estava tão acessível que me contentei em escutá-lo nos meus discos e no meu CD. Estou inconformada de ter perdido o show que ele fez o ano passado toda quinta-feira em um bar da Gomes Freire, assim, tão simples, na minha vizinhança, na Lapa. Não consigo entender como não fui. Mas me lembro de sempre ter pensando em ir. Esperava alguma oportunidade. Mas não a construí. E agora? Me resta isso: expressar minha gratidão por tudo o que sua música representou para mim. E que você, aí nesse firmamento, brilhe muito e eternamente.
Pois o dia 13 de julho de 2010 só representou sua ida para outra dimensão. Vais deixar muitas saudades.
Foi, provavelmente, escutando duas fitas que reproduziam esses discos na gélida Dinamarca, que devo ter decidido que algum dia tinha que morar no Rio de Janeiro para me “banhar” de Brasil.
Alguns anos mais tarde ampliei minha reserva de suas obra quando topei com um CD que reproduzia o célebre encontro de Paulo Moura com Artur Moreira e Lima, Elomar e Heraldo do Monte, o “ConSertão” em que Paulo Moura arrasa solando na “Valsa da Dor”, de Villa Lobos e em mais outras faixas também eternas. Minha admiração por ele me fez certa vez despencar de carona, com uma amiga companheira de aventuras, de uma praia em Santa Catarina para ver um concerto dele em Porto Alegre em pleno Teatro São Pedro. Quando, enfim, chegamos o concerto já tinha começado, mas sorvi aquela música como um presente inesquecível. Achava imperdível vê-lo encher com sua música aquele que é ainda o mais belo teatro da capital gaúcha. Me parecia o único cenário a altura para vê-lo ao vivo a primeira vez. Morei ano em São Paulo e devo tê-lo visto tocando lá algumas vezes. Mas foi em uma visita no Rio, quando topei com ele saindo daquele antiquário que se fazia de bar com chorinho à noite, na rua Lavradio, que me senti perto. Não o escutei tocando, mas me senti tão feliz de cruzar tão normalmente com ele que devo ter esboçado alguma reação. Talvez ele não estivesse acostumado com tietes.
Só não entendo o que deu em mim por não tê-lo visto tocar aqui no Rio nestes últimos seis anos que moro nesta cidade. Vai ver que o considerava tão eterno que não me esforcei o bastante. Ele então estava tão acessível que me contentei em escutá-lo nos meus discos e no meu CD. Estou inconformada de ter perdido o show que ele fez o ano passado toda quinta-feira em um bar da Gomes Freire, assim, tão simples, na minha vizinhança, na Lapa. Não consigo entender como não fui. Mas me lembro de sempre ter pensando em ir. Esperava alguma oportunidade. Mas não a construí. E agora? Me resta isso: expressar minha gratidão por tudo o que sua música representou para mim. E que você, aí nesse firmamento, brilhe muito e eternamente.
Pois o dia 13 de julho de 2010 só representou sua ida para outra dimensão. Vais deixar muitas saudades.
sábado, 26 de junho de 2010
Os duelos da Copa
Os duelos da Copa
Brasil jogou contra Portugal. Chile contra a Espanha. E nos dois jogos havia uma espécie de cerimônia. Depois que fez seu gol que diminuiu a diferença na derrota para Espanha, os chilenos pararam de pressionar. Estavam contentes com o resultado. A derrota que os levou a disputar as oitavas de final com o Brasil. Já o Brasil não perdeu para Portugal. Empatou. E havia um certo clima de se buscar um resultado bom para ambos. Um certo alívio de não ser o mata a mata. E talvez uma certa incompetência com o escrete canarinho desfalcado. Mas o fato é que eram duas ex-colônias jogando com seus países colonizadores.
Hoje, Gana, único representante da África nesta fase, elimina os Estados Unidos. E aqui como em outros lugares do mundo, muitos senão a maioria torciam para que os africanos levassem. Os ianques não! Era um alívo não tê-los no futebol, esporte mais popular do mundo mas que ironicamente era ignorado pela grande potência mundial.
Todos dissemos que são apenas jogos, mas a grande verdade é que na Copa do Mundo se encenam conflitos entre os países que vão além das chuteiras. Algumas rivalidades e suas torcidas de ocasião possuem um pano de fundo geopolítico que apimenta mais a disputa simbólica que se trava em uma partida de um mundial. Dá para se dizer que nós, os seres humanos evoluímos dos circos romanos onde a massa assistia a carnificinas ao vivo e a cores para essa batalha de chuteiras. Alguns pingos de sangue aparecem involuntariamente. É um jogo muitas vezes violento. Mas o futebol e o circo chamado Copa do Mundo encenam rivalidades já domesticadas mas que nos fazem tomar contato com essa concorrência tribal que está impressa em nossas subjetividades e que jogam os seres humanos e as sociedades que eles formaram sempre para algum tipo de disputa. É muito bom que essa que dura somente 90 minutos tenha esse poder de nos fazer sentir coisas extremadas em tão intensos minutos.. e que de alguma forma tenham o poder de aliviar essa nossa compulsão animal de lutar com os Outros para destruí-los e para não ser destruído. E o bom é que nesse tipo de duelo o país mais poderoso do mundo pode ser eliminado pela África. E na maior alegria e paz.
Brasil jogou contra Portugal. Chile contra a Espanha. E nos dois jogos havia uma espécie de cerimônia. Depois que fez seu gol que diminuiu a diferença na derrota para Espanha, os chilenos pararam de pressionar. Estavam contentes com o resultado. A derrota que os levou a disputar as oitavas de final com o Brasil. Já o Brasil não perdeu para Portugal. Empatou. E havia um certo clima de se buscar um resultado bom para ambos. Um certo alívio de não ser o mata a mata. E talvez uma certa incompetência com o escrete canarinho desfalcado. Mas o fato é que eram duas ex-colônias jogando com seus países colonizadores.
Hoje, Gana, único representante da África nesta fase, elimina os Estados Unidos. E aqui como em outros lugares do mundo, muitos senão a maioria torciam para que os africanos levassem. Os ianques não! Era um alívo não tê-los no futebol, esporte mais popular do mundo mas que ironicamente era ignorado pela grande potência mundial.
Todos dissemos que são apenas jogos, mas a grande verdade é que na Copa do Mundo se encenam conflitos entre os países que vão além das chuteiras. Algumas rivalidades e suas torcidas de ocasião possuem um pano de fundo geopolítico que apimenta mais a disputa simbólica que se trava em uma partida de um mundial. Dá para se dizer que nós, os seres humanos evoluímos dos circos romanos onde a massa assistia a carnificinas ao vivo e a cores para essa batalha de chuteiras. Alguns pingos de sangue aparecem involuntariamente. É um jogo muitas vezes violento. Mas o futebol e o circo chamado Copa do Mundo encenam rivalidades já domesticadas mas que nos fazem tomar contato com essa concorrência tribal que está impressa em nossas subjetividades e que jogam os seres humanos e as sociedades que eles formaram sempre para algum tipo de disputa. É muito bom que essa que dura somente 90 minutos tenha esse poder de nos fazer sentir coisas extremadas em tão intensos minutos.. e que de alguma forma tenham o poder de aliviar essa nossa compulsão animal de lutar com os Outros para destruí-los e para não ser destruído. E o bom é que nesse tipo de duelo o país mais poderoso do mundo pode ser eliminado pela África. E na maior alegria e paz.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
O funk dos nossos ouvidos
É muito legal saber que uma música desenvolvida nos morros e favelas, o chamado “funk carioca”, tenha conquistado adeptos em todo mundo, ampliando o mercado musical de músicos brasileiros. Mas honestamente não sou simpatizante da música, simplesmente porque ela invade meus ouvidos sem a menor consideração. Para corroborar minha implicância é líquido e certo que os adeptos dos bailes funks irão ensurdecer por volta dos 40 e 50 anos. É meio triste ver uma geração fadando-se à surdez. É um problema deles. Uma opção. Como é uma opção de quem é fumante escolher a manutenção do vício e uma probabilidade alta de desenvolver um câncer nos pulmões.
O aborrecido é que essa mania deles ensurdece também a vizinhança. Fico pensando o que fazem os moradores das redondezas dessa quadras de bailes funks. Bom, quem não gosta deve saber com alguma antecedência e mudar para casas de parentes durante o fim de semana. Sim porque eu moro longe e, provavelmente por uma questão de acústica... já que a tal quadra é no meio de um vale (eis aí o início dessa ciência) sinto que o baile é no apartamento do lado da minha casa. A estridência e o ritmo são tão fortes que fazem balançar as vidraças do meu apartamento. Creio que com um volume um pouco mais alto elas se espatifarão. E esse é sem dúvida o grande problema da surdez. Já surdos, os freqüentadores desses bailes devem estar precisando escutar sua música a um ritmo cada vez mais alto.
Já ouvi falar que o “estilo estouro” de tímpanos faz parte de uma provocação social dos criadores desses bailes. Uma forma de incomodar a vizinhança mais abastada dessas favelas. A clássica luta de classes em forma musical.
Pois, assim como ocorre com as greves, nós temos que chamar esse pessoal para negociação. Temos que estabelecer códigos de conduta para eles poderem fazer os bailes quando quiserem e nós podermos dormir quando quisermos. Deve ser legal estar em uma festa ao ar livre, escutando e dançado a música que se gosta. Mas não é justo impor essa festa para a vizinhança. E convém eles se darem conta do risco que andam correndo...Em suma, estou chamando esse pessoal para negociação. Tem que haver um jeito. Por exemplo, uma divulgação da festa para a gente ir procurando um lugar para passar a noite de sexta e sábado. Quem tem criança não pode passar a noite na boemia e tem que ter alternativa... Para a criança e para os pais. E uma certa parcimônia nas festas. Datas previstas e divulgadas. Que tal? No desespero da madrugada até liguei para o 190. Mas a polícia não serve para resolver esse assunto. Até porque não pode. E eu não sou a favor de repressão policial. Sempre vai ser violenta e exagerada. Tem que ter um meio termo, não é?
Já de antemão, sugiro que todos se submetam a exames de ouvido. Pois a surdez já está a caminho.
O aborrecido é que essa mania deles ensurdece também a vizinhança. Fico pensando o que fazem os moradores das redondezas dessa quadras de bailes funks. Bom, quem não gosta deve saber com alguma antecedência e mudar para casas de parentes durante o fim de semana. Sim porque eu moro longe e, provavelmente por uma questão de acústica... já que a tal quadra é no meio de um vale (eis aí o início dessa ciência) sinto que o baile é no apartamento do lado da minha casa. A estridência e o ritmo são tão fortes que fazem balançar as vidraças do meu apartamento. Creio que com um volume um pouco mais alto elas se espatifarão. E esse é sem dúvida o grande problema da surdez. Já surdos, os freqüentadores desses bailes devem estar precisando escutar sua música a um ritmo cada vez mais alto.
Já ouvi falar que o “estilo estouro” de tímpanos faz parte de uma provocação social dos criadores desses bailes. Uma forma de incomodar a vizinhança mais abastada dessas favelas. A clássica luta de classes em forma musical.
Pois, assim como ocorre com as greves, nós temos que chamar esse pessoal para negociação. Temos que estabelecer códigos de conduta para eles poderem fazer os bailes quando quiserem e nós podermos dormir quando quisermos. Deve ser legal estar em uma festa ao ar livre, escutando e dançado a música que se gosta. Mas não é justo impor essa festa para a vizinhança. E convém eles se darem conta do risco que andam correndo...Em suma, estou chamando esse pessoal para negociação. Tem que haver um jeito. Por exemplo, uma divulgação da festa para a gente ir procurando um lugar para passar a noite de sexta e sábado. Quem tem criança não pode passar a noite na boemia e tem que ter alternativa... Para a criança e para os pais. E uma certa parcimônia nas festas. Datas previstas e divulgadas. Que tal? No desespero da madrugada até liguei para o 190. Mas a polícia não serve para resolver esse assunto. Até porque não pode. E eu não sou a favor de repressão policial. Sempre vai ser violenta e exagerada. Tem que ter um meio termo, não é?
Já de antemão, sugiro que todos se submetam a exames de ouvido. Pois a surdez já está a caminho.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A Redenção da África em nós
A redenção da África em nós
A priori, a Copa da África do Sul já seria importante só por ser realizada na África. Mas ao assistir algum jogo é possível dar-se conta de que algo bem maior está acontecendo. Colocar os holofotes na África, falar de seus países, de sua gente. Mostrar imagens. Falar do “Ubuntu” para nós, brasileiros médios, que parecemos tanto com os africanos, mas conhecemos e ouvimos falar tão pouco deles, promove, a meu ver uma espécie de redenção da África que temos em nós. Sim, temos uma África na nossa cultura. Isto é uma das grandes qualidades da cultura brasileira. E só ao olharmos para os africanos, os negros e negras que vivem na África, é que podemos perceber a qualidade da nossa negritude. E é realmente muito bom sermos negros também. Que sorte.
A priori, a Copa da África do Sul já seria importante só por ser realizada na África. Mas ao assistir algum jogo é possível dar-se conta de que algo bem maior está acontecendo. Colocar os holofotes na África, falar de seus países, de sua gente. Mostrar imagens. Falar do “Ubuntu” para nós, brasileiros médios, que parecemos tanto com os africanos, mas conhecemos e ouvimos falar tão pouco deles, promove, a meu ver uma espécie de redenção da África que temos em nós. Sim, temos uma África na nossa cultura. Isto é uma das grandes qualidades da cultura brasileira. E só ao olharmos para os africanos, os negros e negras que vivem na África, é que podemos perceber a qualidade da nossa negritude. E é realmente muito bom sermos negros também. Que sorte.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A principal revolução do século XX e a maternidade
Desconfiava que ser mãe era bom. Afinal, geralmente toda mulher saudável gosta. Mesmo as que enfrentam duras condições de vida. Dá trabalho. Mas nenhuma cogita em voltar o filme para percorrer outro caminho. Os filhos, como são, como vieram parar em nossos colos, alteram completamente a percepção da vida. Ao se tornar mãe, toda mulher tem a oportunidade de se transportar para outra dimensão.
Por outro lado, achava espantoso pensar como a maior revolução do século XX, a das mulheres ocidentais, deixou a maternidade pelo caminho. Se bem que não, se formos observar do ponto de vista da demanda por direitos sociais, como saúde e educação, especialidades femininas.
O fato é que o debate atual sobre as diferenças entre os sexos, o chamado discurso pós-feminista, é produto do fato de que, depois de tantas conquistas na cena pública, as mulheres da atual geração passaram a buscar a maternidade conscientemente. A vantagem que é ser mãe não é é mais uma obrigação inescapável para uma mulher de vida sexual ativa, não exige casamento formal nem é necessário uma união com o pai, embora seja bom contar com eles... Além disso, independe de orientação sexual.
Foi uma memorável aula de Yvone Knibiller que me esclareceu o quanto o feminismo, não visto sob o prisma das lutas de fato, mas sob o prisma da ideologia da igualdade entre os sexos havia deixado a maternidade pelo caminho. Sobretudo para as leitoras de Simone de Bouvoir, para quem a maternidade simplesmente é o que igualava as mulheres aos animais, não produzindo maior transcendência.
Há pouco descobri um artigo acadêmico que fala do tal “maternalismo”, conceito usado por alguns historiadores para descrever lutas de mulheres que a partir do século XIX tiveram como ponto de partida demandas sociais vinculadas à maternidade. Foi uma surpresa saber que o pontapé inicial das algumas mobilizações de mulheres foi justamente a maternidade. Parece até que houve um Congresso Nacional das Mães nos Estados Unidos no século XIX. Ou seja, todos os movimentos feministas da primeira fase, portanto do século XIX e do início do século XX podiam ser classificados como “maternais”, já que a maternidade constituía a principal definição social das mulheres brancas, protestantes e da pequena burguesia norte-americana que deram início a esse movimento.
Para alguns historiadores esses movimentos eram conservadores, para outros revolucionários. O fato é que, embora desconsiderem provavelmente a questão das classes sociais, estes movimentos desembocam em uma compreensão sobre esta atividade altamente vinculada ao gênero feminino.
Não podemos esquecer que as operárias também apreciavam poder se consagrar a seus filhos. Muitos sindicatos de trabalhadores do século XIX lutavam contra a contratação de mulheres nas fábricas, influeciados por Proudhon e seu culto à mãe de família devotada.
Pessoalmente gosto de ver aquelas pessoas que gostam de “criar” crianças, e é mais comum ver mulheres assumindo estas tarefas, vindas da barriga dela ou não. E acho importante que algumas lutas tenham desembocado no reconhecimento do papel das mães como um “trabalho”, ou seja, tendo este valor, mesmo não sendo “pago”,monetariamente falando, pois isso favoreceu ao aumento da autonomia das mulheres no interior da instituição conjugal e sustentou direitos sociais que estão associados a papéis considerados femininos e, portanto, subalternos, de uma sociedade. Embora haja o risco de reforçar a ideologia patriarcal, é fato que muitas mulheres despertaram para lutas sociais porque gostariam apenas ter seus filhos com a traquilidade de contar com um bom atendimento público de saúde, creches, licenças-maternidades, horários justos de trabalho, educação pública de qualidade e moradia.. Eis o sonho que embalou muitas lutas sociais aparentemente insignificantes, por serem lutas micro, não pautadas para grandes transformações sociais, mas que deixaram valores perenes em sociedades, como a brasileira. Valores aos quais os próprios partidos conservadores hoje têm que se dizer partidários.
É por essa e outras razões que a luta das mulheres do século passado foi a que trouxe transformações mais perenes para o mundo. Tirando a mania dos fundamentalistas islâmicos, cuja suposta cultura resolveu retroceder neste assunto, os passos que foram dados adiante pelas mulheres ocidentais não voltaram atrás. Seu exemplo para mulheres de outras sociedades incomoda porque como toda e qualquer emancipação, ela destrona alguns senhores simbólicos e reais e redesenha profundamente o mundo social.
Por outro lado, achava espantoso pensar como a maior revolução do século XX, a das mulheres ocidentais, deixou a maternidade pelo caminho. Se bem que não, se formos observar do ponto de vista da demanda por direitos sociais, como saúde e educação, especialidades femininas.
O fato é que o debate atual sobre as diferenças entre os sexos, o chamado discurso pós-feminista, é produto do fato de que, depois de tantas conquistas na cena pública, as mulheres da atual geração passaram a buscar a maternidade conscientemente. A vantagem que é ser mãe não é é mais uma obrigação inescapável para uma mulher de vida sexual ativa, não exige casamento formal nem é necessário uma união com o pai, embora seja bom contar com eles... Além disso, independe de orientação sexual.
Foi uma memorável aula de Yvone Knibiller que me esclareceu o quanto o feminismo, não visto sob o prisma das lutas de fato, mas sob o prisma da ideologia da igualdade entre os sexos havia deixado a maternidade pelo caminho. Sobretudo para as leitoras de Simone de Bouvoir, para quem a maternidade simplesmente é o que igualava as mulheres aos animais, não produzindo maior transcendência.
Há pouco descobri um artigo acadêmico que fala do tal “maternalismo”, conceito usado por alguns historiadores para descrever lutas de mulheres que a partir do século XIX tiveram como ponto de partida demandas sociais vinculadas à maternidade. Foi uma surpresa saber que o pontapé inicial das algumas mobilizações de mulheres foi justamente a maternidade. Parece até que houve um Congresso Nacional das Mães nos Estados Unidos no século XIX. Ou seja, todos os movimentos feministas da primeira fase, portanto do século XIX e do início do século XX podiam ser classificados como “maternais”, já que a maternidade constituía a principal definição social das mulheres brancas, protestantes e da pequena burguesia norte-americana que deram início a esse movimento.
Para alguns historiadores esses movimentos eram conservadores, para outros revolucionários. O fato é que, embora desconsiderem provavelmente a questão das classes sociais, estes movimentos desembocam em uma compreensão sobre esta atividade altamente vinculada ao gênero feminino.
Não podemos esquecer que as operárias também apreciavam poder se consagrar a seus filhos. Muitos sindicatos de trabalhadores do século XIX lutavam contra a contratação de mulheres nas fábricas, influeciados por Proudhon e seu culto à mãe de família devotada.
Pessoalmente gosto de ver aquelas pessoas que gostam de “criar” crianças, e é mais comum ver mulheres assumindo estas tarefas, vindas da barriga dela ou não. E acho importante que algumas lutas tenham desembocado no reconhecimento do papel das mães como um “trabalho”, ou seja, tendo este valor, mesmo não sendo “pago”,monetariamente falando, pois isso favoreceu ao aumento da autonomia das mulheres no interior da instituição conjugal e sustentou direitos sociais que estão associados a papéis considerados femininos e, portanto, subalternos, de uma sociedade. Embora haja o risco de reforçar a ideologia patriarcal, é fato que muitas mulheres despertaram para lutas sociais porque gostariam apenas ter seus filhos com a traquilidade de contar com um bom atendimento público de saúde, creches, licenças-maternidades, horários justos de trabalho, educação pública de qualidade e moradia.. Eis o sonho que embalou muitas lutas sociais aparentemente insignificantes, por serem lutas micro, não pautadas para grandes transformações sociais, mas que deixaram valores perenes em sociedades, como a brasileira. Valores aos quais os próprios partidos conservadores hoje têm que se dizer partidários.
É por essa e outras razões que a luta das mulheres do século passado foi a que trouxe transformações mais perenes para o mundo. Tirando a mania dos fundamentalistas islâmicos, cuja suposta cultura resolveu retroceder neste assunto, os passos que foram dados adiante pelas mulheres ocidentais não voltaram atrás. Seu exemplo para mulheres de outras sociedades incomoda porque como toda e qualquer emancipação, ela destrona alguns senhores simbólicos e reais e redesenha profundamente o mundo social.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Cesar Battisti, Olga Benario e o STF
Há alguns meses atrás, quando Gilmar Mendes proferiu a decisão do STF sobre a deportação do Battisti, ou seja, que ele, enquanto presidente do STF, lavava as mãos jogando a batata quente do destino do ativista de extrema esquerda italiano para as mãos do presidente Lula, achei que, dada a polêmica que este caso havia gerado no país, a decisão seria rápida. Acompanhei meio atrasada os lances da polêmica, mas ficou claro que estava em jogo um caso que no fundo era para explicitar o tipo de polaridade política que vem permeando o Governo Lula.
Sim, porque só em um contexto de polaridade é que poderia sair uma sentença classificando de comuns os crimes de que Battisti é acusado na Itália, quando era ativista de extrema esquerda. O mais curioso foi ver comentários de gente batendo palma para esta decisão em blogs, como o de Reinaldo Azevedo. Quem não conhece, esse tal de Azevedo é colunista da revista “Veja” que, hoje em dia representa o partido mais azedo e estridentes contra Lula, PT e presidentes latino-americanos de esquerda, como Chaves e Evo Morales. Sem querer entrar no mérito das atuações destes presidentes, é fato que algumas matérias desta revista, publicada pela Editora Abril, referentes a essas figuras parecem tão panfletárias quanto qualquer jornaleco partidário de quinta.
Claro que, neste panorama, se destaca a figura de Mino Carta, que torce pela deportação de Battisti não por compartilhar da visão política desta turma, mas provavelmente pelo ressentimento que nutre com o estrago que fez o pessoal da extrema-esquerda italiana, como Battisti, ao panorama político possível da década de 70 na Itália, quando ocorreu um dos piores crimes desse tipo: o sequestro e o assassinato do político da Democracia Cristã italiana, Aldo Moro.
Mas, a meu ver, o pior neste caso particular, é a quantidade de gente que achava normal a pressão que o governo italiano do Berlusconi vem fazendo em cima do Brasil. Digamos que um país,como a Itália, que não entregou um criminoso de colarinho branco como o Cacciola, humilhando, a meu ver, o governo e a justiça brasileiros, não tem o menor direito de pedir reciprocidade da nossa parte, ainda mais quando se sabe que a condenação de Battisti foi à revelia e pode ter sido a saída que seu ex-companheiro delator encontrou de livrar-se de condenação maior.
Independente de todos essas questões, acho interessante explorar a similitude existente entre a traumática entrega de Olga Benário para os alemães em 1936 e a imputação hoje recorrente da responsabilidade do então presidente Getúlio Vargas nessa decisão. Esta memória histórica compartilhada me veio à tona quando o Gilmar Mendes decidiu responsabilizar Lula por qualquer decisão final referente ao destino de Battisti.
O livro de Fernando Morais aponta alguns dos juízes do STF responsáveis pela vergonhosa entrega de uma mulher grávida, judia e comunista ao governo nazista...mas um outro livro que li sobre a época aponta que o presidente do STF de então, o Gilmar Mendes da época era o Vicente Rao.
O que ninguém comenta é que provavelmente esta decisão do Supremo Tribunal Federal da época estava vinculada ao clima de opinião pós-Intentona, provavelmente histérico contra os comunistas após seu fracassado levante de 1935. Ao contrário de alguns ignorantes em história, não estávamos ainda na ditadura Vargas em 1936, portanto, as instituições que funcionavam na época tiveram liberdade de ação para decidir. Mas a pecha de culpa foi para Vargas que, efetivamente talvez pudesse ter feito algo para coibir tal decisão, mas não fez, agradando a Filinto Muller que, como sabemos era o chefe da polícia política da época e havia sido expulso da Coluna Prestes... ou seja, era um desafeto público do pai da criança que Olga trazia na barriga. Mas o que importa é que, na época a decisão final sobre a deportação foi mesmo do STF. Mas a responsabilidade histórica é atribuída ao então presidente Getúlio Vargas.
A meu ver hoje, embora não corra o risco de morrer em um campo de concentração, o fato de a decisão sobre o destino de Battisti ter sido entregue nas mãos de Lula contém o mesmo tipo de capciosa armadilha que caiu sobre Vargas sobre esse tema específico. Muitas pessoas, intelectuais até de peso, não tem meias palavras para chamar Getúlio de fascista tanto por esse caso, como pelo Estado Novo... como pela Carta del Lavoro, de Mussolinni, que inspirou as Leis trabalhistas que seu governo implantou no país.
Objetivamente, as pessoas esquecem que, após a implantação do Estado Novo, ele teve que enfrentar de arma na mão golpistas de tons nazistas e integralistas que, em 1938, invadiram o Palácio das Laranjeiras, onde então presidente vivia, ameaçando toda a sua família. Esta turma era formada pelos descontentes com o fato de que a instituição do Estado Novo colocou tanto a esquerda como a direita do tabuleiro político da época representada sobretudo pelos Integralistas, fora da lei.. Depois desse episódio, tendo se comprovado a participação de funcionários ligados à embaixada alemã no Brasil, Vargas foi o primeiro governo do Ocidente a expulsar um embaixador nazista do país, pouco depois de a Inglaterra e a França engolirem o sapo de ver Hitler anexar impunemente os Sudetos, parte da hoje República Checa, à Alemanha. Provavelmente, estes países achavam que aplacariam a fome de expansão nazista, tolerando isso, mas a atiçaram ainda mais.
Voltando ao caso que hoje envolve o presidente Lula, o que se imagina que pode vir a acontecer com Battisti se for enviado para a Itália? Executado ele não será, mas certamente, a responsabilidade por qualquer coisa que lhe aconteça no futuro será provavelmente imputada a Lula que, será considerado traidor dos direitos humanos pela mesma turma que estridentemente faz campanha para dá-lo de presente para o governo Berlusconi. Na verdade, a maioria dos antepassados políticos dessa turma são os mesmos que fizeram a estridente campanha pública contra os comunistas na década de 30, criando o clima de opinião que favoreceu a expulsão ilegal de Olga. É uma turma que possui uma ojeriza quase patológica contra a esquerda e seu grande representante político atual, como hoje em dia sabemos, é o jurista que até recentemente presidia o STF, Gilmar Mendes.
Sim, porque só em um contexto de polaridade é que poderia sair uma sentença classificando de comuns os crimes de que Battisti é acusado na Itália, quando era ativista de extrema esquerda. O mais curioso foi ver comentários de gente batendo palma para esta decisão em blogs, como o de Reinaldo Azevedo. Quem não conhece, esse tal de Azevedo é colunista da revista “Veja” que, hoje em dia representa o partido mais azedo e estridentes contra Lula, PT e presidentes latino-americanos de esquerda, como Chaves e Evo Morales. Sem querer entrar no mérito das atuações destes presidentes, é fato que algumas matérias desta revista, publicada pela Editora Abril, referentes a essas figuras parecem tão panfletárias quanto qualquer jornaleco partidário de quinta.
Claro que, neste panorama, se destaca a figura de Mino Carta, que torce pela deportação de Battisti não por compartilhar da visão política desta turma, mas provavelmente pelo ressentimento que nutre com o estrago que fez o pessoal da extrema-esquerda italiana, como Battisti, ao panorama político possível da década de 70 na Itália, quando ocorreu um dos piores crimes desse tipo: o sequestro e o assassinato do político da Democracia Cristã italiana, Aldo Moro.
Mas, a meu ver, o pior neste caso particular, é a quantidade de gente que achava normal a pressão que o governo italiano do Berlusconi vem fazendo em cima do Brasil. Digamos que um país,como a Itália, que não entregou um criminoso de colarinho branco como o Cacciola, humilhando, a meu ver, o governo e a justiça brasileiros, não tem o menor direito de pedir reciprocidade da nossa parte, ainda mais quando se sabe que a condenação de Battisti foi à revelia e pode ter sido a saída que seu ex-companheiro delator encontrou de livrar-se de condenação maior.
Independente de todos essas questões, acho interessante explorar a similitude existente entre a traumática entrega de Olga Benário para os alemães em 1936 e a imputação hoje recorrente da responsabilidade do então presidente Getúlio Vargas nessa decisão. Esta memória histórica compartilhada me veio à tona quando o Gilmar Mendes decidiu responsabilizar Lula por qualquer decisão final referente ao destino de Battisti.
O livro de Fernando Morais aponta alguns dos juízes do STF responsáveis pela vergonhosa entrega de uma mulher grávida, judia e comunista ao governo nazista...mas um outro livro que li sobre a época aponta que o presidente do STF de então, o Gilmar Mendes da época era o Vicente Rao.
O que ninguém comenta é que provavelmente esta decisão do Supremo Tribunal Federal da época estava vinculada ao clima de opinião pós-Intentona, provavelmente histérico contra os comunistas após seu fracassado levante de 1935. Ao contrário de alguns ignorantes em história, não estávamos ainda na ditadura Vargas em 1936, portanto, as instituições que funcionavam na época tiveram liberdade de ação para decidir. Mas a pecha de culpa foi para Vargas que, efetivamente talvez pudesse ter feito algo para coibir tal decisão, mas não fez, agradando a Filinto Muller que, como sabemos era o chefe da polícia política da época e havia sido expulso da Coluna Prestes... ou seja, era um desafeto público do pai da criança que Olga trazia na barriga. Mas o que importa é que, na época a decisão final sobre a deportação foi mesmo do STF. Mas a responsabilidade histórica é atribuída ao então presidente Getúlio Vargas.
A meu ver hoje, embora não corra o risco de morrer em um campo de concentração, o fato de a decisão sobre o destino de Battisti ter sido entregue nas mãos de Lula contém o mesmo tipo de capciosa armadilha que caiu sobre Vargas sobre esse tema específico. Muitas pessoas, intelectuais até de peso, não tem meias palavras para chamar Getúlio de fascista tanto por esse caso, como pelo Estado Novo... como pela Carta del Lavoro, de Mussolinni, que inspirou as Leis trabalhistas que seu governo implantou no país.
Objetivamente, as pessoas esquecem que, após a implantação do Estado Novo, ele teve que enfrentar de arma na mão golpistas de tons nazistas e integralistas que, em 1938, invadiram o Palácio das Laranjeiras, onde então presidente vivia, ameaçando toda a sua família. Esta turma era formada pelos descontentes com o fato de que a instituição do Estado Novo colocou tanto a esquerda como a direita do tabuleiro político da época representada sobretudo pelos Integralistas, fora da lei.. Depois desse episódio, tendo se comprovado a participação de funcionários ligados à embaixada alemã no Brasil, Vargas foi o primeiro governo do Ocidente a expulsar um embaixador nazista do país, pouco depois de a Inglaterra e a França engolirem o sapo de ver Hitler anexar impunemente os Sudetos, parte da hoje República Checa, à Alemanha. Provavelmente, estes países achavam que aplacariam a fome de expansão nazista, tolerando isso, mas a atiçaram ainda mais.
Voltando ao caso que hoje envolve o presidente Lula, o que se imagina que pode vir a acontecer com Battisti se for enviado para a Itália? Executado ele não será, mas certamente, a responsabilidade por qualquer coisa que lhe aconteça no futuro será provavelmente imputada a Lula que, será considerado traidor dos direitos humanos pela mesma turma que estridentemente faz campanha para dá-lo de presente para o governo Berlusconi. Na verdade, a maioria dos antepassados políticos dessa turma são os mesmos que fizeram a estridente campanha pública contra os comunistas na década de 30, criando o clima de opinião que favoreceu a expulsão ilegal de Olga. É uma turma que possui uma ojeriza quase patológica contra a esquerda e seu grande representante político atual, como hoje em dia sabemos, é o jurista que até recentemente presidia o STF, Gilmar Mendes.
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