quarta-feira, 30 de setembro de 2009, 08:39 | Online
Reprodução da reprodução que o Estadão faz de matéria da Time sobre o Brasil...
Para uma das leitoras, a matéria da Times era ainda mais elogiosa... Isso confirma a hipótese de que fora a mídia brasileira, o resto do mundo aplaude o "abrigo" de Zelaya na embaixada brasileira em Tegucicalpa....
Para 'Time', Brasil é 'primeiro contrapeso real aos EUA no Ocidente'
Revista americana diz que Lula se tornou 'o mais efetivo intermediário entre Washington e a esquerda anti-EUA na região'.
- Uma reportagem publicada nesta quarta-feira na edição online da revista americana "Time" diz que, ao mediar a crise hondurenha, o Brasil se tornou "o primeiro contrapeso real" à influência americana "no hemisfério ocidental".
Considerando que o Brasil foi "trazido" para o coração do imbróglio pelos vizinhos, mais especificamente pela Venezuela do presidente Hugo Chávez, a revista diz que "Brasília se vê no tipo de centro das atenções diplomático do qual no passado procurou se afastar".
Entretanto, diz a "Time", o país "não deveria se surpreender" com o fato de ser chamado a assumir tal responsabilidade.
Para a publicação americana, "nos últimos anos, a potência sul-americana tem sido reconhecida como o primeiro contrapeso real aos EUA no hemisfério ocidental - e isto significa, pelo menos para outros países nas Américas, assumir um papel maior e mais pró-ativo em ajudar a resolver distúrbios políticos do Novo Mundo, como Honduras".
"Lula e Obama são colegas e almas gêmeas de centro-esquerda, mas quando Obama disse, no mês passado, que aqueles que questionam sua resolução em Honduras são hipócritas, porque são 'os mesmos que dizem que nós estamos sempre intervindo na América Latina'", recorda a reportagem, "ele estava incluindo o Brasil, que expressou sua preocupação em relação aos esforços dos Estados Unidos".
Diplomacia ativa
Citando a participação brasileira em crises regionais, como os conflitos diplomáticos envolvendo Colômbia e Venezuela, e a liderança das tropas do país no Haiti, a revista nota que a diplomacia brasileira é "dificilmente ociosa" na América Latina. "E Lula, um dos mais populares chefes de Estado do mundo, se tornou talvez o mais efetivo intermediário entre Washington e a ressurgente esquerda antiamericana latino-americana".
A reportagem discute a preferência da diplomacia brasileira por atuar nos bastidores, e sua autodefinição como sendo "decididamente não-intervencionista".
"Ao mesmo tempo, Lula está em uma cruzada para tornar o Brasil, que tem a quinta maior população mundial e a nona economia do mundo, um ator internacional sério", diz o texto.
"É difícil manter uma tradição não-intervencionista pristina com ambições como estas - e, cada vez, o hemisfério está dizendo ao Brasil que é um tanto ingênuo insistir que é possível fazer as duas coisas."
Para a "Times", "goste ou não, agora o Brasil está enfiado até o pescoço em Honduras, e o hemisfério está esperançoso de que isto signifique melhores prospectos para um acordo negociado entre Zelaya e os líderes golpistas".
"Porque acreditam que o golpe hondurenho envia um recado perigoso para as nascentes democracias da região, muitos analistas acham que ter o peso do Brasil jogado mais diretamente na situação pode ajudar as negociações." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Honduras e a tacanhice da mídia brasileira
Talvez não tenha surgido caso tão emblemático da tacanhice da mídia brasileira do que a cobertura que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) está dando para o caso de Zelaya, hoje abrigado na Embaixada Brasileira localizada na capital do país para o qual foi legitimamente eleito presidente. Pretendendo uma suposta objetividade , acabei de ver a jornalista da Record entrevistando, ou melhor, metralhando o chanceler Celso Amorim sobre a "intervenção" do governo brasileiro nos assuntos internos de Hondura.
A mulher chegava a estar nervosa. Mal disfarçando uma certa raiva expressa nas perguntas que fazia, obrigou Amorim repetir mais de uma vez que, para o Brasil e toda a comunidade internacional, o presidente legítimo de Honduras era Zelaya, o que justificava o fato de a Embaxada Brasileira em Tegucicalpa ter aberto as portas para abrigá-lo. A insistência da jornalista em afirmar os pontos de vista dos que indisfarçavelmente consideram que o governo de Micheletti tem algum traço de legitimidade acabou fazendo Amorim dar a entender que esse tipo de questão só a mídia brasileira vinha colocando.
Eis um exemplo de como o rapto do horizonte social é feito na sociedade brasileira por uma mídia tacanha que já há algumas décadas patrocina golpes de formas variadas.
Mas poucas vezes a sociedade consegue se dar conta disso. São poucos os momentos que eles se auto-denunciam com tanta veemência. É só porque a comunidade internacional está do lado do Brasil que isso fica evidente.
Enquanto não houver "pluralismo regulado" na mídia brasileira não se pode falar que existe liberdade de imprensa. Segundo a definição de John Thompson, trata-se do estabelecimento de uma estrutura institucional que abriga e garante a existência de uma pluralidade de independentes organizações de mídia. É um princípio que leva a sério a tradicional ênfase liberal na liberdade de expressão e na importância de sustentar as instituições de mídia independentemente do poder do estado. Mas é um princípio que também reconhece que o mercado deixado a si mesmo não pode garantir necessariamente as condições de liberdade de expressão e promover a diversidade e o pluralismo na esfera da comunicação.
"O princípio sugere a descentralização dos recursos nas indústrias da mídia: a tendência para uma crescente concentração de recursos deveria ser controlada e se deveriam criar condições tanto quanto possíveis, para o crescimento de independentes organizações de mídia. Isto exige não somente uma legislação restritiva – isto é, que limite as fusões e outros tipos de cartéis entre as indústrias da mídia – mas também uma legislação que crie condições favoráveis para o desenvolvimento de organizações da mídia que não façam parte dos grandes conglomerados já existentes.
A intervenção legislativa nas indústrias da mídia deveria ser vista não comente como meio de truncar o excessivo poder dos grandes conglomerados, mas também como meio de facilitar o desenvolvimento de novos centros de poder simbólico fora da esfera de controle dos conglomerados e de suas redes de produção e intercâmbio".
Enquanto a mídia brasileira for propriedade de umas 10 famílias com interesses altamente vinculados aos grupos economica e politicamente dominantes, aspectos da realidade brasileira e do nosso horizonte social simplesmente não irão fazer parte do dia a dia da população e não teremos como amadurecer como sociedade, discutindo os problemas que realmente interessam. Vamos simplesmente continuarmos "presas" dos golpes simbólicos aprontados pelos funcionários dessas organizações.
A mulher chegava a estar nervosa. Mal disfarçando uma certa raiva expressa nas perguntas que fazia, obrigou Amorim repetir mais de uma vez que, para o Brasil e toda a comunidade internacional, o presidente legítimo de Honduras era Zelaya, o que justificava o fato de a Embaxada Brasileira em Tegucicalpa ter aberto as portas para abrigá-lo. A insistência da jornalista em afirmar os pontos de vista dos que indisfarçavelmente consideram que o governo de Micheletti tem algum traço de legitimidade acabou fazendo Amorim dar a entender que esse tipo de questão só a mídia brasileira vinha colocando.
Eis um exemplo de como o rapto do horizonte social é feito na sociedade brasileira por uma mídia tacanha que já há algumas décadas patrocina golpes de formas variadas.
Mas poucas vezes a sociedade consegue se dar conta disso. São poucos os momentos que eles se auto-denunciam com tanta veemência. É só porque a comunidade internacional está do lado do Brasil que isso fica evidente.
Enquanto não houver "pluralismo regulado" na mídia brasileira não se pode falar que existe liberdade de imprensa. Segundo a definição de John Thompson, trata-se do estabelecimento de uma estrutura institucional que abriga e garante a existência de uma pluralidade de independentes organizações de mídia. É um princípio que leva a sério a tradicional ênfase liberal na liberdade de expressão e na importância de sustentar as instituições de mídia independentemente do poder do estado. Mas é um princípio que também reconhece que o mercado deixado a si mesmo não pode garantir necessariamente as condições de liberdade de expressão e promover a diversidade e o pluralismo na esfera da comunicação.
"O princípio sugere a descentralização dos recursos nas indústrias da mídia: a tendência para uma crescente concentração de recursos deveria ser controlada e se deveriam criar condições tanto quanto possíveis, para o crescimento de independentes organizações de mídia. Isto exige não somente uma legislação restritiva – isto é, que limite as fusões e outros tipos de cartéis entre as indústrias da mídia – mas também uma legislação que crie condições favoráveis para o desenvolvimento de organizações da mídia que não façam parte dos grandes conglomerados já existentes.
A intervenção legislativa nas indústrias da mídia deveria ser vista não comente como meio de truncar o excessivo poder dos grandes conglomerados, mas também como meio de facilitar o desenvolvimento de novos centros de poder simbólico fora da esfera de controle dos conglomerados e de suas redes de produção e intercâmbio".
Enquanto a mídia brasileira for propriedade de umas 10 famílias com interesses altamente vinculados aos grupos economica e politicamente dominantes, aspectos da realidade brasileira e do nosso horizonte social simplesmente não irão fazer parte do dia a dia da população e não teremos como amadurecer como sociedade, discutindo os problemas que realmente interessam. Vamos simplesmente continuarmos "presas" dos golpes simbólicos aprontados pelos funcionários dessas organizações.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Bonde fora dos trilhos:Justiça Estadual e Federal dão ganho de causa à AMAST duas vezes
Justiça dá ganho de causa para a Amast no Ministério Público e na Justiça Federal
Em menos de uma semana, dois processos promovidos pela Amast (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa), um na Justiça Federal e outro no Ministério Público Estadual, tiveram decisões favoráveis para as demandas da Amast. E isso sem considerar a decisão do TCE (Tribunal de Contas do Estado) que declarou ilegal o contrato da Central, empresa estadual que administra o bonde, com a T-Trans, empresa privada contratada para transformar os bondes em VLT(Veículo Leve sobre Trilhos), que na verdade é um trem, não um bonde.
No dia 20 de agosto, a Justiça Federal determinou a imediata paralisação da circulação de VLTs “Franksteins” e de seus “testes” com a população do bairro e os turistas, até que as partes envolvidas: a a Central, a T-Trans, apresentem o projeto de modernização, e o Inepac (órgão estadual por onde foi tombado o bonde em 1988) e o Iphan (responsável pelo tombamento dos Arcos da Lapa) se manifestem sobre o atendimento à legislação que rege o tombamento dos bondes, em função de eventuais danos causados pelos novos bondes, mais pesados do que os tradicionais nos Arcos da Lapa. Já 3ª Vara de Fazenda Pública do Estado do Rio, em atendimento à ação pública movida pela Amast desde 2004, determinou em 24 de agosto, que o governo estadual pague indenização por desrespeitar o tombamento no processo de modificação dos bondes. A sentença ainda proíbe que se continuem fazendo intervenções irregulares nos bondes para transformá-los em VLTs e ordena a restauração dos bondes nos moldes tradicionais em 60 dias e, da oficina, em 120 dias, incluindo a recuperação da rede aérea, da vida permanente e do gradil dos Arcos da Lapa, sobe pena de multa diária de R$ 50 mil. Ela determina também a reforma das estações Carioca e Curvelo.
É pena que tenha que ter havido a morte da professora Andrea de Jesus Resende, a jovem de 28 anos, morta no acidente ocorrido no domingo, dia 16/08, para que essas decisões judiciais tenham sido tomadas. Mas estas sentenças demonstram a correção das denúncias, das mobilizações, dos abaixo-assinados constantes realizados pelos moradores e amigos de Santa Teresa com referência ao uso dado pelo governo estadual para os 24 milhões obtidos do Banco Mundial para fazer uma reforma completa do sistema de bondes do bairro, patrimônio público do povo do Rio de Janeiro.
Ou seja, as alegações do governo estadual que os VLTs foram tirados dos trilhos até que se organize o trânsito de Santa Teresa é falsa. O governo estadual está obedecendo a determinações judiciais que condenam a reforma insegura e onerosa dos bondes promovida pelo governo estadual. É também falso a recorrente alegação do Secretário Júlio Lopes e de seu subordinado Fabio Tepedino de que não são mais fabricadas as peças dos bondes antigos. Há vários fornecedores de peças para o bonde. Um deles até alegou para moradores do bairro que “adoraria ser o único”. Trata-se de peças de fácil fabricação. Basta ter um torno para produzi-las.
A AMAST AGORA EXIGE QUE O GOVERNO ESTADUAL CUMPRA EMERGENCIALMENTE COM AS SENTEÇAS JUDICIAIS PROFERIDAS PELA JUSTIÇA REAPARELHANDO A OFICINA E REFORMANDO OS QUATRO BONDES TRADICIONAIS QUE ESTÃO PARADOS NA GARAGEM.
Em menos de uma semana, dois processos promovidos pela Amast (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa), um na Justiça Federal e outro no Ministério Público Estadual, tiveram decisões favoráveis para as demandas da Amast. E isso sem considerar a decisão do TCE (Tribunal de Contas do Estado) que declarou ilegal o contrato da Central, empresa estadual que administra o bonde, com a T-Trans, empresa privada contratada para transformar os bondes em VLT(Veículo Leve sobre Trilhos), que na verdade é um trem, não um bonde.
No dia 20 de agosto, a Justiça Federal determinou a imediata paralisação da circulação de VLTs “Franksteins” e de seus “testes” com a população do bairro e os turistas, até que as partes envolvidas: a a Central, a T-Trans, apresentem o projeto de modernização, e o Inepac (órgão estadual por onde foi tombado o bonde em 1988) e o Iphan (responsável pelo tombamento dos Arcos da Lapa) se manifestem sobre o atendimento à legislação que rege o tombamento dos bondes, em função de eventuais danos causados pelos novos bondes, mais pesados do que os tradicionais nos Arcos da Lapa. Já 3ª Vara de Fazenda Pública do Estado do Rio, em atendimento à ação pública movida pela Amast desde 2004, determinou em 24 de agosto, que o governo estadual pague indenização por desrespeitar o tombamento no processo de modificação dos bondes. A sentença ainda proíbe que se continuem fazendo intervenções irregulares nos bondes para transformá-los em VLTs e ordena a restauração dos bondes nos moldes tradicionais em 60 dias e, da oficina, em 120 dias, incluindo a recuperação da rede aérea, da vida permanente e do gradil dos Arcos da Lapa, sobe pena de multa diária de R$ 50 mil. Ela determina também a reforma das estações Carioca e Curvelo.
É pena que tenha que ter havido a morte da professora Andrea de Jesus Resende, a jovem de 28 anos, morta no acidente ocorrido no domingo, dia 16/08, para que essas decisões judiciais tenham sido tomadas. Mas estas sentenças demonstram a correção das denúncias, das mobilizações, dos abaixo-assinados constantes realizados pelos moradores e amigos de Santa Teresa com referência ao uso dado pelo governo estadual para os 24 milhões obtidos do Banco Mundial para fazer uma reforma completa do sistema de bondes do bairro, patrimônio público do povo do Rio de Janeiro.
Ou seja, as alegações do governo estadual que os VLTs foram tirados dos trilhos até que se organize o trânsito de Santa Teresa é falsa. O governo estadual está obedecendo a determinações judiciais que condenam a reforma insegura e onerosa dos bondes promovida pelo governo estadual. É também falso a recorrente alegação do Secretário Júlio Lopes e de seu subordinado Fabio Tepedino de que não são mais fabricadas as peças dos bondes antigos. Há vários fornecedores de peças para o bonde. Um deles até alegou para moradores do bairro que “adoraria ser o único”. Trata-se de peças de fácil fabricação. Basta ter um torno para produzi-las.
A AMAST AGORA EXIGE QUE O GOVERNO ESTADUAL CUMPRA EMERGENCIALMENTE COM AS SENTEÇAS JUDICIAIS PROFERIDAS PELA JUSTIÇA REAPARELHANDO A OFICINA E REFORMANDO OS QUATRO BONDES TRADICIONAIS QUE ESTÃO PARADOS NA GARAGEM.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Cinematografia indígena e os debates sobre o Brasil
Neste último domingo, dia 12 de julho se encerrou a mostra audiovisual "Primeiros Povos", no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal no Rio. O filme de encerramento foi um belíssimo documentário sobre Mário Juruna, o único deputado federal indígena que o Brasil elegeu até hoje, eleito pelos cariocas, ainda durante a ditadura.
Durante os 15 dias em que fiquei sabendo por acaso da mostra, procurei me programar para assisti-la e fui brindada por filmes belíssimos. Documentários feitos por brancos, por indígenas. Filmes de ficção, baseados em fatos reais....
Na última sessão, somente cerca de dez pessoas assistiam ao filme sobre Juruna, de Armando Lacerda, jornalista que fez questão de abrir a palavra para perguntas da platéia.
Estabeleceu-se um diálogo rico e revelador. Alguns espectadores estavam inconformados com a divulgação tacanha de uma mostra tão importante como essa. Uma francesa criticou as pouquíssimas páginas de livros escolares dedicadas aos povos indígenas no Brasil.
Sem entrevista com Juruna, que já andava muito doente com a diabetes que lhe levou embora, a memória deste grande personagem brasileiro é lembrada neste filme por seus parentes.Seu pai, seu filho, primos. A fotografia é belíssima. Os rostos filmados com textura. Os vincos. As cores das pinturas. As expressões dos xavantes. Chegamos à conclusão que uanto mais isoladas as aldeias, mais vida natural, mais os indígenas são saudáveis, belos, livres, dignos.
Mais perto da civilização branca, mais macarrão e, portanto, epidemia de diabetes.
O pai de Juruna, ainda vivo, mantém-se como seus ancestrais. É crítico de quem se aproxima muito da sedutora cultura dos brancos. E é saudável. Forte.
Mas como as imagens dos parentes têm como pano de fundo os discursos de Juruna na Câmara Federal, um dos espectadores fez a pergunta cabal: cadê as falas do Juruna? como podemos ter acesso a elas? Por que não usou mais?
Pois bem, o diretor explicou que dois picaretas contumazes da nossa Câmara Federal faziam questão de discordar do que Juruna falava e ele, sem experiência, não pedia para publicar. Resultado: pouquíssimas falas do nosso único deputado indígena foram publicadas nos Anais do Congresso Nacional! Elas estão registradas, mas não estão publicadas!!!!
Pelo que entendi, para ter acesso a elas, as coisas não são portanto, fáceis, como seriam se todas os seus discursos tivessem sido publicados.
Ou seja, os dois "nobres" deputados, um de nome japonês, que infelizmente não guardei, faziam questão de impedir isso. Manobras regimentais para apagar com uma memória, com a presença do Juruna naquela "Casa". Isso me fez lembrar as criminosas manobras perpetradas pelo "Centrão" durante a Constituinte de 1988 para enterrar a reforma agrária. A coisa foi bem pesada e está bem relatada em livro do saudoso José Gomes da Silva. É de deixar os cabelos e pé. No caso da reforma agrária, os caras do Centrão nem mediram esforços: feriram o regimento e mandaram ver.... passando por cima de figuras que tentaram segurar as pontas, como o Severo Gomes, e sobretudo, da vontade popular que na época havia conseguido 1 milhão de assinaturas para enfim dividir os latifúndios do Brasil...
Mas é isso, a sina dos povos indígenas, a sina dos posseiros, dos sem-terra e dos quilombolas. Eles sempre tentam de qualquer jeito apagar de alguma maneira a memória e com a visibilidade dessas demandas.
Filmes como o "Serra da Desordem", "Terra Vermelha", retratam bem o outro lado os interessados nesse silenciamento: fazendeiros truculentos, criminosos. Um Estado frágil para fazer valer os direitos desses povos que são de fato os verdadeiros brasileiros de quatro costados.
No fim das contas, toda a questão da terra no Brasil passa pelo reconhecimento do direito ancestral de posse, de todos esses povos. Mesmo os sem-terra, que originalmente entram em uma terra improdutiva, geralmente tiveram seus ancestrais, seus parentes expulsos, seja economicamente ou à bala, de suas roças há algum tempo atrás.
O monopólio da terra no Brasil é usualmente fruto de crimes de grilagem. Isso rola no país desde a fatídica Lei de Terras de 1850. O problema é que quem fez o grilo já não está mais na terra, passou ela adiante, e o atual dono apresenta um "papel" provando sua propriedade.
Independente do papel, é é a posse que deveria valer. Em todos os casos. E, como em muitos países europeus,deveria haver limite para o tamanho das propriedades para que todos, literalmente todos os brasileiros, tivessem direito de ter um naco de terra para fazer dela o que bem entender, desde que respeitando a legislação ambiental, trabalhista e a função social da propriedade....
O fato de uma mostra como essa não ter tido repercussão e filmes como o "Juruna, o espírito da floresta", "Serra da Desordem" e "Terra Vermelha" não terem sido objeto de debates públicos intensos, quando foram lançados, até mesmo por suas qualidades estéticas, demonstra que a permanência de uma estrutura fundiária injusta no Brasil é produto do fato de que seus jornalistas, pensadores e intelectuais, os que produzem os debates públicos, não usam seus espaços de expressão para debater filmes como esses. Cultura é debate. Perto dos filmes anódinos que o Brasil vem lançando recentemente, podemos considerar que o pano de fundo de toda a tragédia agrária brasileira é a ignorância de setores influentes desta sociedade. E essa ignorância provavelmente é produzida conscientemente pelos grupos interessados de sempre na manutenção desse silenciamento e dessa ordem social injusta, tanto é que, lá pelos idos da ditadura, se organizaram para que as falas do Juruna não fossem devidamente publicadas nos Anais do Congresso Nacional.
Durante os 15 dias em que fiquei sabendo por acaso da mostra, procurei me programar para assisti-la e fui brindada por filmes belíssimos. Documentários feitos por brancos, por indígenas. Filmes de ficção, baseados em fatos reais....
Na última sessão, somente cerca de dez pessoas assistiam ao filme sobre Juruna, de Armando Lacerda, jornalista que fez questão de abrir a palavra para perguntas da platéia.
Estabeleceu-se um diálogo rico e revelador. Alguns espectadores estavam inconformados com a divulgação tacanha de uma mostra tão importante como essa. Uma francesa criticou as pouquíssimas páginas de livros escolares dedicadas aos povos indígenas no Brasil.
Sem entrevista com Juruna, que já andava muito doente com a diabetes que lhe levou embora, a memória deste grande personagem brasileiro é lembrada neste filme por seus parentes.Seu pai, seu filho, primos. A fotografia é belíssima. Os rostos filmados com textura. Os vincos. As cores das pinturas. As expressões dos xavantes. Chegamos à conclusão que uanto mais isoladas as aldeias, mais vida natural, mais os indígenas são saudáveis, belos, livres, dignos.
Mais perto da civilização branca, mais macarrão e, portanto, epidemia de diabetes.
O pai de Juruna, ainda vivo, mantém-se como seus ancestrais. É crítico de quem se aproxima muito da sedutora cultura dos brancos. E é saudável. Forte.
Mas como as imagens dos parentes têm como pano de fundo os discursos de Juruna na Câmara Federal, um dos espectadores fez a pergunta cabal: cadê as falas do Juruna? como podemos ter acesso a elas? Por que não usou mais?
Pois bem, o diretor explicou que dois picaretas contumazes da nossa Câmara Federal faziam questão de discordar do que Juruna falava e ele, sem experiência, não pedia para publicar. Resultado: pouquíssimas falas do nosso único deputado indígena foram publicadas nos Anais do Congresso Nacional! Elas estão registradas, mas não estão publicadas!!!!
Pelo que entendi, para ter acesso a elas, as coisas não são portanto, fáceis, como seriam se todas os seus discursos tivessem sido publicados.
Ou seja, os dois "nobres" deputados, um de nome japonês, que infelizmente não guardei, faziam questão de impedir isso. Manobras regimentais para apagar com uma memória, com a presença do Juruna naquela "Casa". Isso me fez lembrar as criminosas manobras perpetradas pelo "Centrão" durante a Constituinte de 1988 para enterrar a reforma agrária. A coisa foi bem pesada e está bem relatada em livro do saudoso José Gomes da Silva. É de deixar os cabelos e pé. No caso da reforma agrária, os caras do Centrão nem mediram esforços: feriram o regimento e mandaram ver.... passando por cima de figuras que tentaram segurar as pontas, como o Severo Gomes, e sobretudo, da vontade popular que na época havia conseguido 1 milhão de assinaturas para enfim dividir os latifúndios do Brasil...
Mas é isso, a sina dos povos indígenas, a sina dos posseiros, dos sem-terra e dos quilombolas. Eles sempre tentam de qualquer jeito apagar de alguma maneira a memória e com a visibilidade dessas demandas.
Filmes como o "Serra da Desordem", "Terra Vermelha", retratam bem o outro lado os interessados nesse silenciamento: fazendeiros truculentos, criminosos. Um Estado frágil para fazer valer os direitos desses povos que são de fato os verdadeiros brasileiros de quatro costados.
No fim das contas, toda a questão da terra no Brasil passa pelo reconhecimento do direito ancestral de posse, de todos esses povos. Mesmo os sem-terra, que originalmente entram em uma terra improdutiva, geralmente tiveram seus ancestrais, seus parentes expulsos, seja economicamente ou à bala, de suas roças há algum tempo atrás.
O monopólio da terra no Brasil é usualmente fruto de crimes de grilagem. Isso rola no país desde a fatídica Lei de Terras de 1850. O problema é que quem fez o grilo já não está mais na terra, passou ela adiante, e o atual dono apresenta um "papel" provando sua propriedade.
Independente do papel, é é a posse que deveria valer. Em todos os casos. E, como em muitos países europeus,deveria haver limite para o tamanho das propriedades para que todos, literalmente todos os brasileiros, tivessem direito de ter um naco de terra para fazer dela o que bem entender, desde que respeitando a legislação ambiental, trabalhista e a função social da propriedade....
O fato de uma mostra como essa não ter tido repercussão e filmes como o "Juruna, o espírito da floresta", "Serra da Desordem" e "Terra Vermelha" não terem sido objeto de debates públicos intensos, quando foram lançados, até mesmo por suas qualidades estéticas, demonstra que a permanência de uma estrutura fundiária injusta no Brasil é produto do fato de que seus jornalistas, pensadores e intelectuais, os que produzem os debates públicos, não usam seus espaços de expressão para debater filmes como esses. Cultura é debate. Perto dos filmes anódinos que o Brasil vem lançando recentemente, podemos considerar que o pano de fundo de toda a tragédia agrária brasileira é a ignorância de setores influentes desta sociedade. E essa ignorância provavelmente é produzida conscientemente pelos grupos interessados de sempre na manutenção desse silenciamento e dessa ordem social injusta, tanto é que, lá pelos idos da ditadura, se organizaram para que as falas do Juruna não fossem devidamente publicadas nos Anais do Congresso Nacional.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
O petróleo e a nossa curiosa oposição autofágica
Espero que o governo Lula encare a CPI da Petrobras como a deixa que faltava para investigar os danos que a gestão que o governo do PSDB fez à empresa. Uma medida que todos aguardavam em relação a todas privatizações e meia-privatizações efetuadas pelo governo anterior. Infelizmente, nunca se sabe.
Mas é curioso pensar como essa oposição ousa propor uma CPI como essa. Bem eles, do PSDB, cuja gestão da Petrobras é vista pelos funcionários de carreira da empresa como completamente desastrada e atrelada a interesses estrangeiros que asfixiaram a expansão da empresa. Então, agora o problema é o PT ter 17 cargos de confiança, localizados estrategicamente na direção da empresa? Se a Petrobras não estivesse andando de vento em popa até poderia se aceitar esta crítica. Mas foi durante o governo Lula que a Petrobras tornou o Brasil autônomo em petróleo e ainda descobriu uma reserva deste recurso que torna o país podre de rico, nos levando segundo as estimativas menos otimistas do 24º lugar para 10º lugar na posição do ranking dos maiores produtores de petróleo do mundo.
Existe em qualquer país da era moderna uma política de Estado. Esta política de estado deveria visar o desenvolvimento econômico e social de seus respectivos Estados-nacionais. Foi isso que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos e que os levou a serem considerados países “desenvolvidos”.O problema é que certos países, sobretudo os latino-americanos, volta e meia constituem governos anti-nacionais que bloqueiam o desenvolvimento. Geralmente são governos encabeçados por elites deslumbradas pelos estrangeiros, que adoram mostrar sua erudição em inglês, francês e que costumam achar que tudo que há de melhor no mundo se encontra na Europa ou nos Estados Unidos. Parte expressiva de nossa elite política e econômica é assim. Além de não pensar em termos de país, costuma colocar seus interesses acima dos de sua coletividade. Não fosse isso, não teríamos a taxa de desigualdade social secular que continuamos a apresentar ao mundo e extratos importantes da população em condição de miséria.
Não podemos esquecer que o governo FHC fez uma política anti-desenvolvimento e entregou o Brasil literalmente quebrado para Lula governar. No que se refere à Petrobras, além de destruir a Fronape (Frota Nacional de Petroleiros), abriu o capital da empresa, chegando a franquear informações estratégicas para estrangeiros, supostamente parte dos ritos necessários para suas ações serem vendidas na Bolsa de Nova Iorque. Nos Estados Unidos, por sinal, qualquer petróleo encontrado em seu território é deles. Depois da alteração da Lei de Petróleo, feita pelo tucanato as empresas estrangeiras que venceram os leilões da ANP podem facilmente mandar esse petróleo embora sem que ninguém aqui fique sabendo.
Já os 17 tais cargos estratégicos ocupados pelo PT, que os tucanos estão tentando vender como “empreguismo”, na verdade articularam a visão de governo do PT com a da Petrobrás - cujo corpo de funcionários é sabidamente eficiente - para garantir soberania nacional. Não fosse isso, a empresa, que representa 15% do PIB brasileiro não teria alcançado os resultados expressivos que alcançou nos últimos anos. Houve, em suma, uma grande conciliação entre o empreendorismo da empresa e os interesses políticos É perfeitamente fácil comprovar isso, pois pouco tempo depois desse corpo de dirigentes assumir a empresa, chegamos à autonomia energética em termos de petróleo e, recentemente, com os terminais de gás na Baía de Guanabara (RJ) e em Pecém (CE), conquistamos mais autonomia em relação a esse recurso, até então comprometida pela política de dependência do gás boliviano implementada pelo governo FHC.
É interessante observar como a mídia brasileira, que parece odiar a Petrobras, lida com esse assunto. Na quinta-feira passada, dia da manifestação organizada por vários e distintos setores da esquerda brasileira contra a CPI da Petrobrás, sites como o do “O Globo”, jornal localizado Rio, onde ocorreu a mobilização, curiosamente não apresentou a notícia da mobilização organizada pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), mas deu destaque à opinião da oposição, para quem a manifestação “politiza” a questão e defende as eventuais práticas de corrupção realizadas pela estatal. “Nem se começaram as investigações e já se fazem movimentos políticos. Nós não vamos embalar nisso. A atitude do bloco da minoria será de investigar sem politizar”, afirmou o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).
Essa posição é até curiosa, para não dizer outra coisa. Não foram eles que começaram a politização, ao inventarem uma CPI, que costuma ser o grande palco da politização dos assuntos nacionais? E que interesses são esses que estão querendo investigar uma empresa que, sob o governo Lula, deslanchou, superando os entraves que eles, durante o Governo FHC criaram? Ninguém esquece dentro da Petrobrás o fato de que, na época, o 12º andar do prédio-sede da Petrobrás simplesmente ficou fechado para seus funcionários, mas franqueados para “consultores estrangeiros”. E, mais que isso, como uma empresa auditada constantemente, pode ser o antro de corrupção que eles tentam fazer parecer? E será justamente os holofotes de uma CPI o melhor lugar para se investigar eventuais irregularidades que possam ter ocorrido na empresa? Por fim, a grande questão é trazer à luz o que está por trás de uma CPI criada justamente quando a Petrobras está indo atrás de recursos no exterior para investir na exploração da camada Pré-sal e setores da sociedade brasileira estão querendo revisar a Lei do Petróleo, tirando as empresas estrangeiras da exploração de nossas reservas e garantindo que o destino dessa riqueza beneficie o conjunto do povo brasileiro.
Mas é curioso pensar como essa oposição ousa propor uma CPI como essa. Bem eles, do PSDB, cuja gestão da Petrobras é vista pelos funcionários de carreira da empresa como completamente desastrada e atrelada a interesses estrangeiros que asfixiaram a expansão da empresa. Então, agora o problema é o PT ter 17 cargos de confiança, localizados estrategicamente na direção da empresa? Se a Petrobras não estivesse andando de vento em popa até poderia se aceitar esta crítica. Mas foi durante o governo Lula que a Petrobras tornou o Brasil autônomo em petróleo e ainda descobriu uma reserva deste recurso que torna o país podre de rico, nos levando segundo as estimativas menos otimistas do 24º lugar para 10º lugar na posição do ranking dos maiores produtores de petróleo do mundo.
Existe em qualquer país da era moderna uma política de Estado. Esta política de estado deveria visar o desenvolvimento econômico e social de seus respectivos Estados-nacionais. Foi isso que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos e que os levou a serem considerados países “desenvolvidos”.O problema é que certos países, sobretudo os latino-americanos, volta e meia constituem governos anti-nacionais que bloqueiam o desenvolvimento. Geralmente são governos encabeçados por elites deslumbradas pelos estrangeiros, que adoram mostrar sua erudição em inglês, francês e que costumam achar que tudo que há de melhor no mundo se encontra na Europa ou nos Estados Unidos. Parte expressiva de nossa elite política e econômica é assim. Além de não pensar em termos de país, costuma colocar seus interesses acima dos de sua coletividade. Não fosse isso, não teríamos a taxa de desigualdade social secular que continuamos a apresentar ao mundo e extratos importantes da população em condição de miséria.
Não podemos esquecer que o governo FHC fez uma política anti-desenvolvimento e entregou o Brasil literalmente quebrado para Lula governar. No que se refere à Petrobras, além de destruir a Fronape (Frota Nacional de Petroleiros), abriu o capital da empresa, chegando a franquear informações estratégicas para estrangeiros, supostamente parte dos ritos necessários para suas ações serem vendidas na Bolsa de Nova Iorque. Nos Estados Unidos, por sinal, qualquer petróleo encontrado em seu território é deles. Depois da alteração da Lei de Petróleo, feita pelo tucanato as empresas estrangeiras que venceram os leilões da ANP podem facilmente mandar esse petróleo embora sem que ninguém aqui fique sabendo.
Já os 17 tais cargos estratégicos ocupados pelo PT, que os tucanos estão tentando vender como “empreguismo”, na verdade articularam a visão de governo do PT com a da Petrobrás - cujo corpo de funcionários é sabidamente eficiente - para garantir soberania nacional. Não fosse isso, a empresa, que representa 15% do PIB brasileiro não teria alcançado os resultados expressivos que alcançou nos últimos anos. Houve, em suma, uma grande conciliação entre o empreendorismo da empresa e os interesses políticos É perfeitamente fácil comprovar isso, pois pouco tempo depois desse corpo de dirigentes assumir a empresa, chegamos à autonomia energética em termos de petróleo e, recentemente, com os terminais de gás na Baía de Guanabara (RJ) e em Pecém (CE), conquistamos mais autonomia em relação a esse recurso, até então comprometida pela política de dependência do gás boliviano implementada pelo governo FHC.
É interessante observar como a mídia brasileira, que parece odiar a Petrobras, lida com esse assunto. Na quinta-feira passada, dia da manifestação organizada por vários e distintos setores da esquerda brasileira contra a CPI da Petrobrás, sites como o do “O Globo”, jornal localizado Rio, onde ocorreu a mobilização, curiosamente não apresentou a notícia da mobilização organizada pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), mas deu destaque à opinião da oposição, para quem a manifestação “politiza” a questão e defende as eventuais práticas de corrupção realizadas pela estatal. “Nem se começaram as investigações e já se fazem movimentos políticos. Nós não vamos embalar nisso. A atitude do bloco da minoria será de investigar sem politizar”, afirmou o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).
Essa posição é até curiosa, para não dizer outra coisa. Não foram eles que começaram a politização, ao inventarem uma CPI, que costuma ser o grande palco da politização dos assuntos nacionais? E que interesses são esses que estão querendo investigar uma empresa que, sob o governo Lula, deslanchou, superando os entraves que eles, durante o Governo FHC criaram? Ninguém esquece dentro da Petrobrás o fato de que, na época, o 12º andar do prédio-sede da Petrobrás simplesmente ficou fechado para seus funcionários, mas franqueados para “consultores estrangeiros”. E, mais que isso, como uma empresa auditada constantemente, pode ser o antro de corrupção que eles tentam fazer parecer? E será justamente os holofotes de uma CPI o melhor lugar para se investigar eventuais irregularidades que possam ter ocorrido na empresa? Por fim, a grande questão é trazer à luz o que está por trás de uma CPI criada justamente quando a Petrobras está indo atrás de recursos no exterior para investir na exploração da camada Pré-sal e setores da sociedade brasileira estão querendo revisar a Lei do Petróleo, tirando as empresas estrangeiras da exploração de nossas reservas e garantindo que o destino dessa riqueza beneficie o conjunto do povo brasileiro.
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